FLORIANÓPOLIS — O valor bruto das reservas futuras de hotéis de Florianópolis caiu 16,9% em 2026, enquanto a diária média aumentou 11,4% em relação a 2025. O avanço dos preços veio acompanhado de crescimento de apenas 1,5% no volume de room nights, indicando que a valorização tarifária não foi acompanhada pela mesma expansão da demanda.
A carteira OTB (on the books) mede o GMV das reservas já registradas para períodos seguintes. Em agosto, a retração chegou a 7,5%. Ao mesmo tempo, a antecedência média das reservas futuras aumentou 34,2%. Os dados não permitem determinar se a queda do GMV está ligada ao volume, à tarifa ou à composição da carteira.
Distribuição concentrada nas OTAs
As OTAs responderam por 70,5% das room nights do mercado catarinense e cresceram 3,4% no período analisado. As operadoras concentraram 15,9% das diárias, mas recuaram 4,5%. Já a venda direta representou 13,6% e caiu 7,4%.
O resultado ampliou a distância entre as plataformas digitais e os canais controlados pelos hotéis. A recuperação da venda direta pode envolver campanhas exclusivas, programas de fidelidade, benefícios próprios e melhorias na jornada de reserva. A estratégia indicada é buscar uma distribuição mais equilibrada, sem necessariamente substituir as OTAs.
Comparação com o estado e a região Sul
Santa Catarina teve alta de 8,3% no volume e de 3,6% na tarifa média. Na região Sul, as room nights cresceram 10,4% e a tarifa média subiu 6,8%. No país, os avanços foram de 5,7% e 5,5%, respectivamente.
Embora Florianópolis tenha registrado aumento tarifário superior ao observado em Santa Catarina e na região Sul, a série histórica mostra um quadro menos intenso no prazo mais longo. A diária média foi de R$ 685 em 2024, passou a R$ 719 em 2025 e chegou a R$ 688 no período analisado de 2026. O valor ficou 0,4% acima do registrado dois anos antes.
Diferenças entre categorias
O segmento Luxury teve alta de 58,3% na diária média, mas perdeu 7,8% em room nights. No Upscale, as reservas recuaram 2,4% e a tarifa aumentou 3,3%.
Nas categorias inferiores, o Economy avançou 11% em volume e reduziu a tarifa em 2,7%. O Midscale cresceu 1,4% nas reservas e teve queda de 1,3% no preço.
Os dados do Hotel Report mostram um mercado capaz de aumentar tarifas, mas com desafios na geração de volume, na composição dos canais de venda e na formação da carteira futura. O acompanhamento precisa considerar simultaneamente preços, reservas, distribuição e valor contratado para os próximos períodos.









