Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Documentos detalham negócios ligados a servidores investigados no caso Banco Master

Sindicâncias do Banco Central apontam contratos e transações envolvendo Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana; ambos negam irregularidades.

Documentos detalham negócios ligados a servidores investigados no caso Banco Master
Foto: Reprodução/Instagram@bellinesantana/Beto Nociti/BCB

Documentos liberados após a retirada do sigilo pelo Supremo Tribunal Federal detalham transações imobiliárias e contratos de consultoria atribuídos a dois servidores do Banco Central investigados no caso Banco Master. As apurações indicam pagamentos de R$ 12 milhões por empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro: R$ 8 milhões para o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e R$ 4 milhões para Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária.

Os dois servidores estão afastados de suas funções desde 9 de janeiro. As defesas afirmam que eles não receberam valores relacionados ao Banco Master e que não atuaram para beneficiar a instituição dentro do Banco Central.

Transações atribuídas a Paulo Sérgio

Em janeiro deste ano, Paulo Sérgio informou ao próprio Banco Central ter negociado a venda do sítio Mirante, em Juruaia, Minas Gerais, por R$ 4,8 milhões. O comprador foi Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. O servidor declarou que só soube do parentesco cerca de um ano depois, durante a lavratura da escritura, e que desconhecia qualquer ligação de Zettel com o Banco Master.

A sindicância patrimonial do Banco Central registrou que o negócio teria sido fechado por R$ 5,2 milhões e apontou não haver sinais de que o comprador tivesse assumido a posse do imóvel. A apuração também afirma que Paulo Sérgio e o irmão, Luís Roberto, receberam mais R$ 1 milhão pela compra da safra de café do sítio, com R$ 500 mil para cada um, pagos em duas parcelas.

Outra operação envolveu uma casa em Guaxupé, vendida por R$ 1,52 milhão à Noah Empreendimentos. A empresa era controlada por Zettel e administrada por Luís Roberto, apontado pelos investigadores como laranja do irmão na transação. Paulo Sérgio ainda teria recebido R$ 276 mil pelo ressarcimento de aparelhos de ginástica instalados no imóvel.

Um aditivo assinado em julho de 2024 estabeleceu que a escritura seria feita somente depois da quitação integral, prevista para 2028. Até esse momento, os vendedores poderiam continuar usando a propriedade.

O relatório final da comissão de sindicância, assinado em 5 de março, relaciona contra Paulo Sérgio suspeitas de enriquecimento ilícito, conflito de interesses, improbidade administrativa, violação de deveres funcionais, recebimento de vantagem em razão do cargo e corrupção.

A defesa sustenta que a negociação do sítio e a venda da casa foram operações legítimas, sem relação com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master. Também afirma que os pagamentos foram declarados e que Paulo Sérgio não favoreceu interesses do banqueiro no exercício do cargo.

Contratos relacionados a Belline

Belline Santana assinou dois contratos de R$ 2 milhões cada com a Varajo Consultoria Empresarial, empresa de Leonardo Palhares. O primeiro foi firmado em 17 de outubro de 2023; o segundo, em 28 de agosto de 2024.

A sindicância aponta que Palhares também era diretor da Super Empreendimentos e Participações, ligada, conforme os documentos, a Daniel Vorcaro. Fabiano Zettel aparecia como sócio e já havia sido diretor da empresa.

Relatório da Polícia Federal anexado ao processo afirma que Belline tratou diretamente com Vorcaro sobre o primeiro contrato, embora o documento tenha sido assinado por Palhares. A proposta inicial previa um projeto de inclusão financeira para jovens. Em uma primeira versão, Belline disse ter recebido duas parcelas semestrais de R$ 500.000,00 ao longo de 2023. Depois, afirmou que foram quatro parcelas mensais de R$ 500 mil, entre outubro de 2023 e janeiro de 2024.

O segundo acordo previa estudos e palestras. A investigação registra pagamentos de R$ 500 mil em setembro de 2024, R$ 500 mil em outubro e dez parcelas de R$ 100 mil entre março e dezembro de 2025. Segundo a sindicância, o ciclo de palestras não ocorreu; houve um webinário com cerca de 20 participantes. Belline citou, entre as entregas, uma logomarca, perfis em redes sociais e a divulgação do evento.

Em 29 de janeiro deste ano, seis dias após prestar depoimento, Belline comunicou a Palhares que deixaria o projeto. A comissão considerou incompatível o encerramento simples com um contrato de R$ 2 milhões.

A defesa diz que Belline desenvolveu o projeto social Jovens Potentes e que, no momento da contratação, não sabia de vínculos entre a Varajo, Palhares ou a Câmara E-Net e Daniel Vorcaro ou o Banco Master. Também afirma que as conversas do servidor com Vorcaro estavam ligadas às suas atribuições de supervisão bancária e não indicam favorecimento.

Encaminhamento das apurações

Após as conclusões das sindicâncias, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, encaminhou os casos à Controladoria-Geral da União. A medida foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, por ofício de 11 de março assinado por Galípolo e pelo procurador-geral do Banco Central, Cristiano Cozer.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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