SÃO PAULO — O beach tennis brasileiro alcançou escala internacional, mas ainda não dispõe de uma base de dados capaz de medir com precisão o tamanho do mercado. A falta de uma metodologia comum dificulta a transformação do crescimento em uma tese clara para investidores.
Em 2025, o Brasil recebeu 180 torneios internacionais, mais do que qualquer outro país, conforme levantamento da Federação Paulista de Tênis a partir do calendário da ITF (International Tennis Federation). A Itália, considerada o berço da modalidade, ficou atrás. Apenas o estado de São Paulo organizou 49 torneios, contra 45 nos Estados Unidos.
A expansão também aparece na ocupação dos espaços. Em São Paulo, estacionamentos, rooftops e lajes entre torres corporativas passaram a receber quadras. No Rio de Janeiro, as instalações da orla ficam ocupadas antes do início do dia.
Crescimento sem padrão de medição
O esporte já reúne franquias, competições e investidores. O problema está na ausência de números consolidados sobre praticantes, infraestrutura e evolução do mercado. As estimativas existentes variam em uma faixa ampla, sem uma metodologia capaz de indicar o tamanho real da atividade.
A modalidade avançou por meio de federações estaduais e iniciativas privadas, em um ritmo que não foi acompanhado por uma instituição central. Com isso, o mercado cresce apoiado na demanda, mas sem uma série histórica que permita projetar seu desenvolvimento.
O precedente do pickleball
Nos Estados Unidos, o pickleball enfrentou uma situação semelhante. A publicação de relatórios anuais pela Sports & Fitness Industry Association, com dados sobre praticantes e estrutura por estado, ajudou a tornar o crescimento compreensível para o capital.
Em 2026, a Apollo Global Management investiu US$ 225 milhões no esporte, que passou a ser avaliado em US$ 750 milhões. Depois, vieram a transmissão e os patrocinadores.
No vôlei de praia, uma estrutura de investimento ajudou a consolidar o esporte. O Banco do Brasil entrou em 1991; o Circuito Nacional veio depois; em 1996, a modalidade chegou aos Jogos de Atlanta, com ouro olímpico.
O beach tennis ainda cresce pela força da cultura brasileira de praia e pela procura pelas quadras. Para avançar como negócio organizado, porém, precisa tornar seus números verificáveis e comparáveis.









