Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Política

Biografia reconstitui a trajetória política de Leonel Brizola

Livro de Karla Monteiro percorre a formação, o exílio e a atuação de Brizola no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.

Biografia reconstitui a trajetória política de Leonel Brizola

A trajetória de Leonel Brizola, da infância pobre em Carazinho à liderança trabalhista e ao governo de dois estados, é reconstituída no livro Brizola – Lobisomem Contra o Império, da jornalista Karla Monteiro. A obra tem 456 páginas e foi publicada pela Companhia das Letras.

Brizola começou na juventude do PTB, foi eleito deputado estadual, passou pela Câmara e ocupou por meio mandato a prefeitura da capital gaúcha. Entre 1958 e 1962, governou o Rio Grande do Sul. Antes do fim do mandato, liderou a Campanha da Legalidade, movimento que garantiu a posse do vice-presidente João Goulart.

Aos 40 anos, já havia construído uma trajetória nacional e, pouco depois, seria enviado ao exílio. O livro acompanha sua formação desde a adolescência difícil, marcada por trabalhos como engraxate e ascensorista, até a graduação em Engenharia Civil. Para Brizola, a educação se tornou uma meta permanente e a política, o instrumento para realizar esse projeto.

Educação, terra e trabalhismo

Dois temas aparecem como centrais em sua atuação: a fixação do homem à terra, associada à reforma agrária, e a educação. Brizola defendia escolas próximas, professores presentes e alimentação para os alunos. Sua principal referência política foi Alberto Pasqualini, ideólogo do trabalhismo, mas Getúlio Vargas se tornou seu modelo de liderança e condução do interesse público.

Casado com Neuza Goulart, irmã mais jovem de João Goulart, Brizola se afastava do comunismo que atraía parte dos jovens de sua geração. A autora também identifica interesse pelo exemplo da Revolução Cubana antes do golpe de 1964. A informação foi confirmada por Raúl Roa Khoury, ex-embaixador de Cuba, aos 90 anos.

Exílio e retorno ao Brasil

Com a tomada do poder pelos militares, João Goulart e Brizola não puderam permanecer no país. A biografia sustenta que Brizola era visto pelos militares como uma ameaça ainda maior que o presidente deposto. Durante o exílio, ele manteve oposição a setores das Forças Armadas e à Rede Globo. Mais tarde, escolheu os Estados Unidos para passar uma temporada, em uma espécie de teste sobre a política do governo de Jimmy Carter para a América do Sul.

Brizola voltou ao Brasil após 15 anos de exílio. Perdeu a disputa pelo PTB, mas passou a comandar o PDT, partido que fundou. Foi eleito diretamente governador do Rio de Janeiro entre 1982 e 1986 e novamente entre 1990 e 1994, tornando-se o único político eleito para governar dois estados diferentes.

O livro mostra ainda um político de vida pessoal reservada, distante dos filhos e sem amizades muito próximas conhecidas. O apelido de lobisomem, inicialmente usado por adversários para ironizar suas longas falas no rádio durante a madrugada e seus ataques aos Estados Unidos, acabou incorporado por Brizola como símbolo de sua imagem política.

O primeiro volume termina com o retorno do ex-governador ao país. A etapa seguinte de sua vida inclui a tentativa de transformar o PDT em uma legenda nacional, os governos no Rio de Janeiro e as candidaturas à Presidência em 1989 e 1994. Um segundo volume está em preparação.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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