SÃO PAULO — A B3 avalia ampliar os mercados de previsão no Brasil, mas condiciona a chegada desses contratos ao varejo a mecanismos de educação financeira, controle e fiscalização. O debate ganhou espaço durante a B3 Week 2026, realizada nesta semana na capital paulista.
A Bolsa já oferece contratos relacionados a decisões de juros e lançou produtos associados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ao Produto Interno Bruto (PIB). A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), porém, restringe a distribuição, e as negociações estão disponíveis apenas para investidores institucionais e profissionais, segundo Luiz Masagão, diretor da B3.
Como funcionam os contratos
Os mercados de previsão transformam expectativas sobre acontecimentos futuros em preços negociáveis. Um contrato pode representar a probabilidade de um evento ocorrer. Quando os investidores compram e vendem posições, o preço reúne as diferentes projeções do mercado e converte uma estimativa, antes presente em pesquisas ou relatórios, em um valor negociado.
Para Masagão, a possibilidade de transformar acontecimentos variados em ativos negociáveis está entre as principais inovações do mercado financeiro nas últimas décadas. A estrutura também pode ser mais simples para o investidor do que a de derivativos tradicionais.
Thiago Godoy, fundador do projeto de educação financeira Papai Financeiro, disse que recebe dúvidas de seguidores sobre o funcionamento desse mercado e sua diferença em relação às apostas esportivas. Ele apontou como fatores de interesse a compreensão mais fácil, a possibilidade de investir em uma opinião sobre um acontecimento e o potencial de retorno financeiro.
Risco, limites e fiscalização
Godoy defendeu uma frente robusta de educação financeira para evitar que o produto reproduza problemas associados às bets. “A maneira de ganhar esse jogo no Brasil, acima até da regulação, é colocar o usuário em um caminho muito bom de compreensão das diferenças, das oportunidades e dos riscos”, afirmou.
Jerson Zanlorenzi, sócio e responsável pela mesa de ações e derivativos do BTG Pactual (BPAC11), afirmou que os contratos de evento permitem conhecer previamente os resultados possíveis e o limite de perda. Operações com futuros, por outro lado, envolvem margem e ajustes de posições.
Os contratos podem abranger eleições, indicadores econômicos, clima e outros acontecimentos. Luiz Masagão afirmou que a infraestrutura regulada permite identificar participantes, acompanhar operações suspeitas e responsabilizar infratores. A B3 Week 2026 ocorre entre 14 e 16 de setembro, em São Paulo.








