As dez empresas com maior dívida bruta da B3 somavam R$ 1,076 trilhão em junho de 2026. O valor correspondia a 41,9% dos R$ 2,569 trilhões registrados pelas 304 companhias não financeiras analisadas pela Elos Ayta.
Cinco dessas empresas tinham cobertura financeira igual ou inferior a uma vez: Raízen (RAIZ4), Cosan (CSAN3), Marfrig (MBRF3), Equatorial (EQTL3) e Axia Energia (AXIA3). O indicador compara o EBITDA acumulado em 12 meses com as despesas financeiras brutas do mesmo período.
A Raízen apresentou a menor relação, de 0,14 vez. O indicador ficou em 0,43 vez na Cosan, 0,68 na Marfrig e 0,93 na Equatorial. A Axia Energia atingiu uma vez.
Uma cobertura abaixo de uma vez indica que a geração operacional não superou os encargos financeiros no período analisado. O resultado, isoladamente, não significa incapacidade de pagamento ou risco de inadimplência. Caixa disponível, receitas financeiras, venda de ativos, refinanciamentos e outras fontes de recursos também podem ser considerados pelas companhias.
Comparação com o mercado
A mediana da cobertura entre as dez maiores devedoras foi de 1,13 vez em junho de 2026. Isso significa que a empresa mediana do grupo gerava R$ 1,13 de EBITDA para cada R$ 1,00 de despesa financeira. Entre as 304 companhias, a mediana foi de 1,69 vez.
Na outra ponta, Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) registraram as maiores coberturas, de 20,81 e 4,16 vezes. A Petrobras tinha a maior dívida bruta da amostra, de R$ 366,5 bilhões, mas seu EBITDA superava as despesas financeiras. A empresa concentrava aproximadamente 14% da dívida total das companhias analisadas.
Entre junho de 2025 e junho de 2026, a cobertura mediana das dez maiores devedoras recuou de 1,25 para 1,13 vez, enquanto a dívida bruta do grupo cresceu 1,9%. No conjunto das 304 empresas, a cobertura passou de 1,76 para 1,69 vez, e a dívida total aumentou 6,3%.
A participação das dez maiores no total caiu de 43,7% para 41,9%. No período, a dívida da Equatorial subiu aproximadamente 15%, enquanto sua cobertura caiu de 1,22 para 0,93 vez. A JBS elevou o endividamento em cerca de 10%, e a cobertura recuou de 3,86 para 2,26 vezes. Na Raízen, o indicador passou de 0,75 para 0,14 vez. A Suzano ampliou a cobertura de 1,16 para 3,07 vezes, mantendo dívida próxima de R$ 93 bilhões.
O levantamento considera dados das Demonstrações Financeiras Padronizadas e das Informações Trimestrais divulgadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A dívida bruta corresponde aos valores consolidados nos demonstrativos, e o EBITDA foi calculado pela Elos Ayta com base em rubricas contábeis padronizadas.
A metodologia pode produzir resultado diferente do EBITDA ou do EBITDA ajustado divulgado pelas empresas, porque não considera reclassificações e ajustes feitos em notas explicativas, apresentações de resultados ou relatórios gerenciais. A análise de cobertura deve ser complementada por dados sobre caixa, dívida líquida, vencimentos, moedas, indexadores e instrumentos de proteção.








