Walter Maciel, CEO da AZ Quest Investimentos, afirma que o Brasil está próximo de uma situação em que a política monetária do Banco Central deixa de controlar a inflação. Na avaliação dele, o ajuste fiscal será inevitável, independentemente de quem vencer a eleição de 2026, e poderá ocorrer por decisão do governo ou diante de uma crise econômica e política.
Maciel relaciona o risco ao avanço das despesas obrigatórias sobre a receita. Para ele, quando isso acontecer, o governo ficará sem recursos e o Congresso perderá as emendas. O executivo também prevê que, sem uma correção das contas públicas, os juros podem chegar a 40% em 1,5 ano, com possibilidade de caos social.
Eleição e voto útil
Crítico da gestão Lula, Maciel diz que Flávio Bolsonaro não seria o candidato ideal, mas poderia vencer no primeiro turno por causa do voto útil. Segundo ele, a polarização mantém as rejeições dos dois principais candidatos próximas e pode levar eleitores de outras candidaturas de direita a apoiar quem tiver mais chances contra um inimigo comum.
O executivo considera difícil uma vitória de Lula no primeiro turno, mas avalia que um candidato de centro-direita poderia alcançar esse resultado se adotasse um discurso mais apaziguador e evitasse erros que, na visão dele, prejudicaram candidaturas anteriores. Maciel também afirma que a percepção da economia tende a piorar até outubro, com o custo de vida distante do poder de compra das famílias.
Ele diz que a alternância de poder seria saudável para o país e reconhece que Lula deixou reservas que protegeram o Brasil de crises internacionais. Ao mesmo tempo, critica o crescimento da dívida pública e os juros que, segundo ele, estão sufocando empresas e famílias. Como exemplos, cita Marabraz e Casas Bahia, que pediram recuperação judicial ao mesmo tempo.
Ajuste nas contas públicas
Para Maciel, o ajuste poderia reduzir rapidamente os juros e melhorar a atividade econômica. Ele projeta uma queda para 7%, o real a US$ 3 e a retomada da bolsa, dos investimentos e das empresas que reduziram seu endividamento. Também afirma que o Brasil já cresceu 3,5% ao ano com inflação baixa.
O CEO defende mudanças em renúncias fiscais e benefícios sociais. Cita a Zona Franca de Manaus, o Perse, a Previdência, o salário mínimo, o BPC e o Bolsa Família. Na avaliação dele, o próximo governo não precisaria detalhar todas as medidas durante a campanha, mas deveria apresentar a perspectiva de recuperação das contas e de redução dos juros.
Maciel afirma que medidas desse tipo podem produzir desgaste político no início, mas menciona experiências associadas a FHC, Pedro Malan e Henrique Meirelles como exemplos de que ajustes são possíveis. Ele também diz que os juros brasileiros estão em nível de UTI.
Relações internacionais
Na análise sobre o cenário externo, Maciel afirma que os Estados Unidos passaram a reagir à perda de espaço industrial para a China e defendem valores ligados à liberdade de capitais, de negócios e de discurso. Ele critica a estrutura política brasileira e considera que os poderes não exercem controles recíprocos de forma adequada.
O executivo avalia que a China enfrenta dívida elevada, queda da população e problemas no mercado imobiliário. Também afirma que os Estados Unidos se preparam para um ciclo de investimentos em inteligência artificial, com US$ 700 bilhões aplicados pelas sete maiores empresas de tecnologia e mais de 150 mil empregos criados.
Para o Brasil, Maciel defende uma posição mais ativa. Ele cita a matriz energética 92% renovável, a produção de alimentos, a exportação de petróleo e a possibilidade de o país se tornar um centro global de data centers. Apesar disso, diz ver fundamentos macroeconômicos positivos ameaçados pelo aumento indefinido dos gastos acima da arrecadação.








