Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
O Brasil em um ponto
Economia

CEO da AZ Quest prevê ajuste fiscal inevitável e alerta para risco de dominância fiscal

Walter Maciel afirma que juros elevados sufocam famílias e empresas e avalia que a eleição de 2026 pode ser decidida no primeiro turno.

CEO da AZ Quest prevê ajuste fiscal inevitável e alerta para risco de dominância fiscal
Foto: ANDRE DUSEK/ESTADÃO Foto: ANDRE DUSEK/ESTADAO

Walter Maciel, CEO da AZ Quest Investimentos, afirma que o Brasil está próximo de uma situação em que a política monetária do Banco Central deixa de controlar a inflação. Na avaliação dele, o ajuste fiscal será inevitável, independentemente de quem vencer a eleição de 2026, e poderá ocorrer por decisão do governo ou diante de uma crise econômica e política.

Maciel relaciona o risco ao avanço das despesas obrigatórias sobre a receita. Para ele, quando isso acontecer, o governo ficará sem recursos e o Congresso perderá as emendas. O executivo também prevê que, sem uma correção das contas públicas, os juros podem chegar a 40% em 1,5 ano, com possibilidade de caos social.

Eleição e voto útil

Crítico da gestão Lula, Maciel diz que Flávio Bolsonaro não seria o candidato ideal, mas poderia vencer no primeiro turno por causa do voto útil. Segundo ele, a polarização mantém as rejeições dos dois principais candidatos próximas e pode levar eleitores de outras candidaturas de direita a apoiar quem tiver mais chances contra um inimigo comum.

O executivo considera difícil uma vitória de Lula no primeiro turno, mas avalia que um candidato de centro-direita poderia alcançar esse resultado se adotasse um discurso mais apaziguador e evitasse erros que, na visão dele, prejudicaram candidaturas anteriores. Maciel também afirma que a percepção da economia tende a piorar até outubro, com o custo de vida distante do poder de compra das famílias.

Ele diz que a alternância de poder seria saudável para o país e reconhece que Lula deixou reservas que protegeram o Brasil de crises internacionais. Ao mesmo tempo, critica o crescimento da dívida pública e os juros que, segundo ele, estão sufocando empresas e famílias. Como exemplos, cita Marabraz e Casas Bahia, que pediram recuperação judicial ao mesmo tempo.

Ajuste nas contas públicas

Para Maciel, o ajuste poderia reduzir rapidamente os juros e melhorar a atividade econômica. Ele projeta uma queda para 7%, o real a US$ 3 e a retomada da bolsa, dos investimentos e das empresas que reduziram seu endividamento. Também afirma que o Brasil já cresceu 3,5% ao ano com inflação baixa.

O CEO defende mudanças em renúncias fiscais e benefícios sociais. Cita a Zona Franca de Manaus, o Perse, a Previdência, o salário mínimo, o BPC e o Bolsa Família. Na avaliação dele, o próximo governo não precisaria detalhar todas as medidas durante a campanha, mas deveria apresentar a perspectiva de recuperação das contas e de redução dos juros.

Maciel afirma que medidas desse tipo podem produzir desgaste político no início, mas menciona experiências associadas a FHC, Pedro Malan e Henrique Meirelles como exemplos de que ajustes são possíveis. Ele também diz que os juros brasileiros estão em nível de UTI.

Relações internacionais

Na análise sobre o cenário externo, Maciel afirma que os Estados Unidos passaram a reagir à perda de espaço industrial para a China e defendem valores ligados à liberdade de capitais, de negócios e de discurso. Ele critica a estrutura política brasileira e considera que os poderes não exercem controles recíprocos de forma adequada.

O executivo avalia que a China enfrenta dívida elevada, queda da população e problemas no mercado imobiliário. Também afirma que os Estados Unidos se preparam para um ciclo de investimentos em inteligência artificial, com US$ 700 bilhões aplicados pelas sete maiores empresas de tecnologia e mais de 150 mil empregos criados.

Para o Brasil, Maciel defende uma posição mais ativa. Ele cita a matriz energética 92% renovável, a produção de alimentos, a exportação de petróleo e a possibilidade de o país se tornar um centro global de data centers. Apesar disso, diz ver fundamentos macroeconômicos positivos ameaçados pelo aumento indefinido dos gastos acima da arrecadação.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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