Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Frota chinesa supera 1 milhão de veículos e testa estrutura de pós-venda no Brasil

A frota ainda é jovem, mas dados do exterior indicam desafios com peças, diagnóstico e tempo de reparo à medida que os carros envelhecem.

Frota chinesa supera 1 milhão de veículos e testa estrutura de pós-venda no Brasil
Foto: Daniel Teixeira/Estadão Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A frota de carros e comerciais leves chineses em circulação no Brasil ultrapassou 1 milhão de unidades em julho de 2026, depois de somar 993.212 veículos em junho. O crescimento, porém, ainda não colocou totalmente à prova as estruturas de pós-venda das fabricantes: a maioria dos automóveis é recente e permanece dentro do período de garantia.

Cálculos da K.Lume Consultoria Automobilística indicam idade média de 3,34 anos para essa frota. A mediana é de 1,5 ano. Veículos com até dois anos representam 52,6% do total. O percentual chega a 69,3% entre os modelos com até três anos e a 79% na faixa de até cinco anos.

Entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, 688.454 carros chineses foram incorporados à frota brasileira. Por isso, predominam revisões programadas, enquanto a demanda por peças associadas a maior quilometragem, envelhecimento e reparos complexos ainda é limitada.

Marcas concentram a maior parte da frota

As dez maiores marcas respondem por aproximadamente 95,5% dos veículos chineses em circulação. Considerando os modelos, os dez mais numerosos representam 66,3% do total.

A Chery lidera, com 364.990 unidades e 36,7% de participação. A BYD aparece em seguida, com 325.890 carros e 32,8%. A Haval tem 99.465 unidades, equivalentes a 10%. JAC, Geely e Lifan vêm logo depois.

Ao fim de 2025, a frota chinesa somava 711.965 veículos, ou 1,54% dos 46,1 milhões de carros e comerciais leves em circulação no país. A participação no estoque ainda é pequena, mas as marcas chinesas já representam mais de 13% do fluxo recente de vendas.

Dados internacionais apontam gargalos

A CAR analisou mais de 3 milhões de ordens de serviço registradas entre janeiro de 2025 e agosto de 2026 em países como Espanha, França, México, Chile, Peru, Paraguai, Portugal, Reino Unido e Argentina. A base não inclui o Brasil e não representa o pós-venda nacional.

Ainda assim, os dados mostram que as ordens de serviço de carros chineses cresceram 106% entre o primeiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026. No mesmo intervalo, o avanço entre marcas tradicionais foi de 7%. A participação das chinesas nas entradas passou de 0,35% para 0,68%.

A frequência de passagem pela oficina foi semelhante: a razão mediana entre chineses e tradicionais ficou em 1,01. O tempo de reparo, porém, foi maior para os chineses, com 8,25 horas, contra 4,64 horas entre as marcas tradicionais. O intervalo entre a recepção e a entrega chegou a 85 horas, ante 30,4 horas.

A análise atribui o principal gargalo à disponibilidade de peças e ao diagnóstico, não necessariamente à quantidade de defeitos ou à produtividade dos profissionais. Em dez das 14 oficinas comparadas, os carros chineses demoraram mais para ser reparados, e a diferença aumentou nas faixas de maior quilometragem.

A expansão da frota dá às fabricantes tempo para ampliar centros de distribuição, formar estoques regionais, treinar profissionais e garantir acesso a informações técnicas. Itens de revisão, como filtros, fluidos e pastilhas, têm consumo previsível. Já reparos após colisões podem exigir faróis, lanternas, sensores, módulos, chicotes e componentes estruturais, com risco de manter o veículo parado por semanas.

A disponibilidade nacional de uma peça também não encerra o processo. O componente precisa chegar à concessionária, ser identificado, faturado, transportado e instalado. Em um país continental, uma operação eficiente em São Paulo não assegura o mesmo atendimento em todas as regiões. Para o mercado de usados, a confiança dependerá da existência de peças, oficinas e suporte durante todo o ciclo de vida do veículo.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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