A entrega de veículos para Pessoas com Deficiência (PCD) tem ultrapassado os prazos informados por concessionárias, segundo relatos de compradores. A demora pode provocar o vencimento da documentação e obrigar o cliente a mudar de loja ou reiniciar etapas da aquisição.
A modalidade envolve venda direta, com faturamento do veículo pela montadora em nome do comprador. Os procedimentos são diferentes dos adotados em vendas convencionais, e a burocracia costuma exigir acompanhamento de vendedores mais experientes.
Bruno Silva, de Belo Horizonte (MG), pediu um GWM Haval H6 para o pai, Álvaro, em 26 de fevereiro. O SUV foi entregue em 19 de agosto. Durante a espera, a concessionária informou que a documentação havia vencido, o que levou Bruno a trocar de loja e registrar uma reclamação.
“Informavam que estava faltando documentação, mas entrei em contato com a concessionária e estava tudo aprovado”, afirmou Bruno. Segundo ele, a nota fiscal foi emitida em 16/07, e o carro chegou 33 dias depois do faturamento.
Tatiana Sayuri Tokyo, de São Paulo (SP), fez o pedido de um Honda City Sedan LX em 11 de junho. A entrega ocorreu em 26 de agosto, depois do prazo de 30 dias informado pela concessionária. Ela escolheu a cor azul e recebeu a sugestão de aceitar outra opção, sem garantia de redução da espera.
Tatiana disse que foi informada em 16 de julho de que o veículo seria produzido no fim daquele mês. Em 3 de agosto, recebeu a informação de que o carro estava pronto, mas aguardava faturamento. O boleto foi gerado em 11 de agosto, o pagamento ocorreu em 18 de agosto e a instalação de acessórios acrescentou mais alguns dias ao prazo.
Prazos informados pelas marcas
A GWM informou que trabalha com prazo máximo de 90 dias. Dos 1.646 pedidos de veículos PCD em andamento, 1.543 tinham espera inferior a 59 dias, e 98,1% estavam dentro do prazo estabelecido.
A empresa atribuiu possíveis demoras à escolha de uma cor específica em determinada região do Brasil. Também afirmou que prioriza pedidos mais antigos e que não há diferença de cronograma em relação à venda convencional.
Há ainda reclamações, em grupos de proprietários nas redes sociais, sobre atrasos em compras de veículos PCD da GAC e da Nissan. Não houve resposta dessas marcas.
Mudanças nos benefícios
Em agosto de 2026, o Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade ampliar o acesso aos benefícios fiscais para pessoas com deficiência. A decisão também alcançou portadores do nível 1 do Transtorno do Espectro Autista e casos de deficiências físicas leves. Trechos da Lei Complementar 214/2025 que não incluíam esses grupos foram considerados inconstitucionais.
O Projeto de Lei 2079/26 propõe elevar de R$ 200 mil para R$ 250 mil o teto do preço de veículos com isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A proposta será analisada pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, ainda precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.
Até 2021, o limite era de R$ 70 mil. Depois, passou para R$ 140 mil e, a partir de 2022, chegou a R$ 200 mil, valor que permanece em vigor.








