SÃO PAULO — Uma filial da Trocafone vendeu ou movimentou 759.317 celulares sem nota fiscal de entrada correspondente ao IMEI, conforme os autos do processo da Operação Frankmobile. Para o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), o dado indica a entrada de aparelhos furtados ou roubados de outros grupos investigados.
Deflagrada nesta quinta-feira (10), a operação apura um esquema de furto, roubo, receptação e comercialização de celulares. A ação também alcança outras empresas de revenda de aparelhos usados, além de suspeitos, depósitos e laboratórios onde os dispositivos eram desbloqueados e tinham os IMEIs trocados.
Investigação e medidas solicitadas
O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) conduziu a investigação ao longo de dois anos. O Ministério Público pediu a suspensão das atividades econômicas da Trocafone, da Global Phone Celulares, da Agasus Seminovos e da PLL Inovação.
Também foi solicitado o bloqueio de valores relacionados aos investigados. No caso da Trocafone, o montante associado é de R$ 95,7 milhões. Segundo o Gaeco, a empresa estaria no “topo na cadeia de comercialização” e funcionaria como núcleo financeiro da rede investigada. A Promotoria afirma que a compra e a revenda de celulares usados poderiam conferir aparência legal a aparelhos roubados ou furtados.
Ao todo, são cumpridos 84 mandados de busca em cidades de São Paulo e Goiás. Cerca de 1,7 mil agentes das Polícias Civil e Penal, da Receita Estadual e promotores do Gaeco participam da ação. A operação também conta com cães farejadores da Polícia Penal para auxiliar na localização dos dispositivos.
Posicionamento da empresa
A Trocafone informou que entregou a documentação e as informações solicitadas pelas autoridades e que analisa os documentos do caso com seus assessores jurídicos. A companhia declarou que “repudia a comercialização de aparelhos de origem ilícita” e apoia o combate à prática.
A empresa também afirma manter procedimentos para impedir a entrada de equipamentos com indícios de irregularidade, incluindo checagens para identificar aparelhos com bloqueios de IMEI, separação de dispositivos e colaboração com autoridades policiais. A Trocafone diz que permanece à disposição para prestar esclarecimentos e fornecer documentos durante a operação.








