Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
O Brasil em um ponto
Brasil

Perfis bolsonaristas impulsionam rede religiosa de apoio a André Mendonça

Levantamento identificou 24 contas no Instagram, mudanças de nomes e publicações coordenadas para promover o ministro do STF.

Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça
Foto: Reprodução/Instagram

Ao menos 24 perfis no Instagram passaram a promover o ministro André Mendonça com apoio de contas ligadas a políticos bolsonaristas, em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o caso Master. As páginas somavam 5,6 milhões de seguidores até quarta-feira (16), segundo levantamento sobre a atuação dessas contas na rede social da Meta.

A mobilização apresenta Mendonça como uma figura religiosa e associa sua atuação no STF a uma missão divina. Entre 1º e 9 de setembro, 156 publicações com esse tipo de narrativa reuniram 228 milhões de visualizações. Os conteúdos pedem orações pelo ministro, chamam-no de “servo de Deus” e retratam a disputa institucional como uma batalha entre o bem e o mal.

Contas mudaram de nome

Do total de perfis identificados, 12 já existiam antes da crise no STF e trocaram de nome. As contas @andremendoncas2 e @andremendoncas3, juntas, reúnem quase 3 milhões de seguidores e passaram a atuar como páginas de apoio ao ministro.

A @andremendoncas2 foi criada em novembro de 2024, tem 1,9 milhão de seguidores e recebeu o selo de verificação do Instagram em agosto. O perfil mudou de nome oito vezes e não exibe publicações anteriores a setembro. Antes de se dedicar a Mendonça, republicava conteúdos religiosos, anti-LGBTQIA+ e sobre futebol.

A @andremendoncas3 foi criada em abril, mudou de nome duas vezes e também não exibe publicações anteriores a setembro. Os primeiros posts atualmente disponíveis nas duas contas foram publicados em 5 e 7 de setembro. Desde então, elas passaram a compartilhar materiais quase idênticos, muitos também distribuídos por outras páginas.

As contas associaram uma pregação feita por Mendonça em fevereiro deste ano, durante uma conferência cristã de apoio a mães de pessoas atípicas, às discussões recentes no STF. Até quarta-feira (16), essas publicações acumulavam cerca de 2 milhões de visualizações.

Articulação com perfis políticos

As novas identidades foram divulgadas por contas com audiências já consolidadas. O perfil @nikolasferreiradms3, que usa o nome e a imagem do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), publicou uma chamada para que seus seguidores acompanhassem a @andremendoncas2.

Também foram identificadas publicações colaborativas pelo recurso collabs do Instagram entre páginas dedicadas a Mendonça e perfis que promovem políticos bolsonaristas, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em outros casos, diferentes contas reproduziram imagens, vídeos e legendas idênticas e direcionaram seguidores para a mesma página de apoio ao ministro.

Uma postagem que anunciava que uma conta dedicada a Mendonça havia ultrapassado 240 mil seguidores em 24 horas foi distribuída por diferentes perfis bolsonaristas. A prática de simular apoio popular espontâneo por meio de uma mobilização coordenada é conhecida como astroturfing.

Uso eleitoral e ausência de resposta

Das publicações analisadas, 20 foram feitas por candidatos ou políticos com mandato. O deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), candidato a vice na chapa presidencial de Flávio, relacionou a disputa envolvendo Mendonça à eleição de outubro. Ele afirmou que Moraes e o presidente Lula (PT) representariam um sistema que tentaria impedir o ministro de avançar nas investigações sobre o Banco Master e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de pedir que Deus abençoasse Mendonça.

Até quarta-feira (16), o vídeo tinha 2,2 milhões de visualizações e 27 mil compartilhamentos. O especialista em direito eleitoral Marcos Jorge avaliou que haveria problema se as publicações atribuíssem a Mendonça um apoio eleitoral que ele não declarou ou se fosse comprovada anuência ou articulação prévia do ministro para o uso eleitoral de suas manifestações.

O advogado e mestre em Direito e Políticas Públicas Adriano Fonseca afirmou que a conduta poderia suscitar questionamentos éticos e constitucionais. Não foram encontradas evidências de que Mendonça tenha autorizado ou participado da elaboração das publicações.

Foram procurados o gabinete de André Mendonça, as assessorias de Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro, o gabinete de Alfredo Gaspar e a Meta. Até a publicação, nenhum dos quatro citados havia respondido, e a plataforma também não havia se manifestado sobre a reutilização de contas com audiência preexistente após mudanças de nome e de temática.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5