Motoristas que trabalham por aplicativos têm jornada semanal maior e rendimento por hora menor do que outros condutores, embora a renda mensal dos dois grupos seja parecida. Os dados são do módulo sobre trabalho por plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao terceiro trimestre de 2025.
Entre os profissionais que tinham a condução de automóveis como trabalho principal, 905 mil usavam plataformas digitais em 2025. O grupo representava 45,9% dos quase 2 milhões de trabalhadores dessa ocupação. Em 2024, eram 824 mil, ou 43,8%.
A renda média mensal dos motoristas por aplicativo era de R$ 2.873, contra R$ 2.805 entre os condutores que não usavam plataformas. A diferença de R$ 68 vinha acompanhada de uma carga semanal de 45,9 horas, ante 40,4 horas no outro grupo. Assim, os motoristas de aplicativo trabalhavam 5,5 horas a mais por semana, uma diferença de 13,6%.
Renda por hora e contribuição previdenciária
O rendimento médio por hora era de R$ 14,40 entre os motoristas por aplicativo e de R$ 16 entre os demais condutores. A vantagem mensal dos trabalhadores de plataformas também diminuiu em relação ao ano anterior: em 2024, a diferença média era de R$ 359.
Em 2025, a renda real dos motoristas por aplicativo recuou 1,2%, enquanto a dos condutores sem plataformas cresceu 10%. A contribuição para a previdência alcançava 25,5% dos motoristas de automóveis que usavam aplicativos, contra 59,2% dos demais. Essa comparação considera o trabalho principal e exclui empregados do setor público e militares.
Transporte por aplicativo reúne 1,15 milhão
O transporte particular de passageiros por aplicativos reunia 1,15 milhão de trabalhadores no país. O segmento inclui plataformas como Uber e 99, além de aplicativos de táxi, e correspondia a 58,9% das pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços.
Ao todo, 1,96 milhão de pessoas usavam aplicativos de serviços no trabalho principal ou secundário. Esse contingente equivalia a 1,9% da população ocupada. A pesquisa passou a considerar o trabalho secundário em 2025, o que impede a comparação direta do total com as edições anteriores.
As plataformas de transporte que não são de táxi reuniam 1,056 milhão de trabalhadores, enquanto os aplicativos voltados aos taxistas eram usados por 232 mil pessoas. Os valores não devem ser somados diretamente porque um profissional pode atuar em mais de um tipo de plataforma.
Os aplicativos de entrega de comida e outros produtos eram utilizados por 585 mil trabalhadores. Já as plataformas de serviços gerais ou profissionais reuniam 313 mil. Considerando apenas a ocupação principal, havia 1,8 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas, alta de 9,1% ante 2024. O IBGE classifica os resultados como estatísticas experimentais, ainda em avaliação metodológica.
Plataformas concentram serviços e definem valores
Entre os trabalhadores que usavam aplicativos de transporte diferentes dos de táxi, 80,2% exerciam essa atividade somente por meio de plataformas. Entre os usuários de aplicativos de táxi, a proporção era de 60,9%.
O uso de uma única plataforma era mais comum entre taxistas: 79,7% trabalhavam com apenas um aplicativo. No transporte de passageiros fora dessa categoria, o percentual era de 59,8%.
A definição da remuneração também estava concentrada nas empresas. Entre os usuários de aplicativos de transporte que não eram de táxi, 80,2% disseram que o valor recebido pelo serviço era totalmente determinado pela plataforma. Entre os usuários de aplicativos de táxi, o índice foi de 73,5%.
Bônus, incentivos ou promoções que alteravam os preços influenciavam a jornada de 56,3% dos trabalhadores de aplicativos de transporte diferentes dos de táxi. Entre os taxistas que usavam plataformas, o percentual era de 53,7%. Esses indicadores consideram o trabalho principal de pessoas que utilizavam um único tipo de aplicativo de serviços.








