A lipoaspiração reduz de forma persistente a gordura subcutânea da área tratada, mas pode ser acompanhada por recuperação da gordura corporal em outras regiões. Estudos citados sobre o procedimento apontam redistribuição principalmente para a gordura visceral, localizada dentro da cavidade abdominal e associada a alterações metabólicas.
O que ocorre após a cirurgia
A lipoaspiração é uma cirurgia estética realizada para diminuir depósitos específicos de gordura. Ela não foi desenvolvida como tratamento para obesidade nem para promover grandes perdas de peso. No procedimento, a gordura subcutânea, localizada abaixo da pele, é retirada mecanicamente.
Um estudo conduzido por Fabiana Benatti, docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avaliou mulheres com IMC abaixo de 30 kg/m² submetidas à lipoaspiração abdominal. Dois meses depois da cirurgia, as participantes foram separadas em dois grupos. Um fez treinamento físico três vezes na semana durante quatro meses; o outro permaneceu sedentário.
Seis meses após a cirurgia, a redução da gordura subcutânea continuava. Entre as mulheres que não fizeram treinamento físico, porém, houve aumento compensatório de aproximadamente 10% da gordura visceral. Esse tecido envolve os órgãos e tem relação com diabetes, doenças cardiovasculares e outras alterações metabólicas. A gordura subcutânea acumulada em áreas como quadris e coxas é descrita como protetora em comparação com a visceral.
Outro estudo acompanhou mulheres por um ano depois da lipoaspiração e também identificou recuperação da gordura corporal. Nesse caso, a redistribuição ocorreu preferencialmente em regiões diferentes das aspiradas, sobretudo na parte superior do corpo.
A resposta do tecido adiposo
O tecido adiposo é um órgão endócrino biologicamente ativo. Além de armazenar energia, produz substâncias que regulam o metabolismo, incluindo o apetite e o gasto energético. Uma delas é a leptina, hormônio que informa ao cérebro como estão as reservas energéticas.
Quando há perda significativa de gordura, os níveis de leptina diminuem. O organismo pode reagir aumentando a fome física e reduzindo o gasto energético, numa tentativa de interromper o emagrecimento. Esse mecanismo ajuda a explicar por que a recuperação da gordura pode ocorrer mesmo depois de uma intervenção localizada.
Relação com a menopausa
A queda do estrogênio durante a menopausa altera naturalmente a distribuição de gordura no corpo feminino e favorece o acúmulo abdominal, especialmente o visceral. Por isso, mulheres que passaram pela menopausa há mais tempo tendem a concentrar menos gordura nos quadris e mais na região abdominal.
A combinação entre menopausa e lipoaspiração levanta uma questão sobre a distribuição desse tecido. A observação clínica descrita é de mulheres que fizeram lipoaspiração e apresentam uma barriga mais arredondada e enrijecida, característica compatível com acúmulo visceral. Essa percepção, porém, não pode ser generalizada.
A hipótese apresentada é que essas mulheres possam ter uma distribuição de gordura diferente da observada em outras da mesma idade que nunca fizeram o procedimento. A preocupação não é estética: um acúmulo maior de gordura visceral está relacionado ao aumento do risco cardiometabólico.
A capacidade de adaptação do tecido adiposo mostra que a retirada de gordura de uma região não garante que o organismo mantenha a mesma distribuição ao longo do tempo.








