A capacitação de profissionais é o principal obstáculo para que as seguradoras convertam o uso da inteligência artificial em valor para os negócios. Essa dificuldade foi apontada por 83% dos executivos ouvidos em um estudo global da Accenture, que reuniu respostas de 263 líderes em 11 países, incluindo o Brasil.
A integração também permanece limitada. Apenas 23% das empresas alcançaram um estágio de integração absoluta da IA em nível corporativo. A maior parte ainda trabalha com projetos isolados, enquanto 32% dos executivos classificaram o crescimento da receita entre os três principais motivos para investir na tecnologia.
Ganhos já aparecem nos prêmios
Mesmo com as barreiras, 81% das seguradoras registraram aumento de pelo menos 5% no volume de prêmios emitidos após iniciativas envolvendo IA e dados. Dentro desse grupo, 7% relataram crescimento superior a 20%.
Os resultados foram relacionados a avanços na precificação, à personalização de produtos e à possibilidade de ampliar as vendas. A percepção dos líderes sobre o impacto financeiro da tecnologia também mudou: 85% já consideram a IA uma alavanca de receitas. Há dois anos, esse índice era de 68%.
Sistemas e dados entre os entraves
Além da falta de profissionais preparados, a estrutura tecnológica dificulta a expansão das iniciativas. Metade das seguradoras apontou os sistemas legados como um dos principais obstáculos à implementação. Outros 45% dos entrevistados mencionaram a qualidade dos dados como um fator que atrapalha o processo.
O levantamento mostra, assim, que os ganhos obtidos em aplicações de IA e dados ainda não se traduziram em uma estratégia integrada para a maioria das empresas. A distância entre os resultados pontuais e a adoção em toda a organização permanece associada à integração, aos sistemas existentes, aos dados e à formação de profissionais.








