A reserva de emergência deve priorizar liquidez, baixo risco e volatilidade praticamente nula. Por isso, ETFs de renda fixa não são considerados a melhor alternativa para esse objetivo, mesmo quando investem em títulos públicos atrelados à Selic.
O valor da reserva deve equivaler a pelo menos três vezes o custo mensal. Para pessoas com maior instabilidade no emprego e dependentes, a recomendação é se aproximar de 12 vezes. Como o dinheiro pode ser necessário em qualquer momento, o investimento precisa permitir resgate rápido sem prejuízo, independentemente das condições do mercado.
Risco de crédito e tributação
ETFs que investem em crédito privado carregam uma cesta de títulos com risco de crédito. O mesmo vale para produtos como CDB, LCI, LCA, debêntures e letras financeiras. Mesmo quando existe proteção do Fundo Garantidor de Crédito, a liberação dos recursos pode demorar, o que não atende à função da reserva.
Também há uma questão tributária nos ETFs de renda fixa. Eles não seguem a mesma tributação de títulos públicos ou de fundos tradicionais, como os fundos DI. Nestes, o imposto é de 22,5% nos primeiros seis meses e cai progressivamente até chegar a 15% depois de dois anos. Nos fundos tradicionais, ainda existe a antecipação semestral conhecida como come-cotas.
Nos ETFs, a alíquota depende do prazo médio dos ativos da carteira, e não do momento do resgate. Um fundo listado composto apenas por títulos de curtíssimo prazo pode pagar 25%, percentual que permanece mesmo após anos de investimento. Para ter imposto de 15%, o prazo médio da carteira precisa superar dois anos.
O LFTS11, primeiro ETF a montar uma cesta de títulos públicos pós-fixados, começou com tributação de 15% e depois passou a 25% após a Receita Federal reforçar o entendimento de que o prazo médio de uma carteira formada apenas por títulos pós-fixados é curto.
Títulos atrelados à inflação
ETFs que combinam Tesouro Selic com uma parcela de Tesouro IPCA+, como AUPO11, LFTB11 e CDIB11, podem alcançar prazo médio superior a dois anos e, com isso, manter imposto de 15%. Ainda assim, não são indicados para a reserva de emergência.
A razão é a volatilidade dos títulos indexados à inflação. Eles oscilam até o vencimento e podem resultar em perda no momento do resgate, especialmente quando o dinheiro é necessário durante um período de estresse no mercado.
ETFs compostos somente por Tesouro Selic e tributados permanentemente em 25% também perdem para o Tesouro Selic comprado pelo Tesouro Direto. Nesse caso, o imposto é de 22,5% nos primeiros seis meses e pode chegar a 15% se o investimento permanecer aplicado por mais de dois anos.
Para reservas acima de R$ 10 mil, fundos taxa zero que investem apenas em Tesouro Selic são apontados como opção mais vantajosa. Acima desse valor, o Tesouro Direto cobra taxa de custódia de 0,2% ao ano, custo que pode superar o efeito do come-cotas dos fundos no curto prazo.
Quando o ETF pode ser útil
Um ETF barato que invista somente em Tesouro Selic pode fazer sentido quando o investidor já sabe que usará o dinheiro em menos de 30 dias. Nesse caso, porém, não se trata de uma reserva de emergência, mas de um recurso com destino definido.
A vantagem é a ausência de Imposto sobre Operações Financeiras nos ETFs. O tributo incide sobre títulos comprados no Tesouro Direto e sobre fundos taxa zero nos primeiros 30 dias. O IOF começa em 96% sobre o retorno, diminui diariamente e chega à isenção no trigésimo dia.
O BLFT11 é citado como opção para essa situação, com taxa de 0,1% ao ano. Como só é adequado para um dinheiro que será usado com certeza em menos de 30 dias, não substitui a reserva destinada a imprevistos.
Para a reserva de emergência, a recomendação é manter o dinheiro em título público Tesouro Selic ou em fundo taxa zero que invista exclusivamente nele.








