A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) regulamentou a classificação de vinhas velhas no Alentejo. Pela regra, o vinhedo precisa ter um bloco contínuo com pelo menos 75% das videiras com 35 anos ou mais. Também foi criada a categoria de vinhas centenárias, formada por plantas que tenham sido cultivadas até 1931.
Para que o vinhedo seja enquadrado como DO Alentejo, a produção máxima deve ser de 5 mil quilos de uvas por hectare. Na classificação de IG Alentejano, o limite passa para 7,5 mil quilos por hectare. Os volumes são inferiores aos rendimentos de vinhedos submetidos a podas para limitar a produção em 10 mil ou 12 mil quilos por hectare.
A idade, porém, não é considerada garantia de qualidade. Há videiras antigas que produzem uvas de maior complexidade, enquanto outras, apesar das muitas décadas, não receberam os cuidados necessários para gerar frutos com aromas e sabores mais complexos.
Cultivo sem irrigação e em vaso
A produtora Susana Esteban defende que uma vinha velha também seja cultivada sem irrigação e em vaso. O sistema transforma cada videira em uma pequena árvore individual, com folhas distribuídas para todos os lados e maior proteção contra o sol. A condução pode contribuir para uma maturação mais lenta das uvas, associada à diferença de temperatura entre o dia e a noite.
Esteban adquiriu em 2018 uma propriedade com vista para o castelo de Alegrete. Em uma área de 25 hectares, plantou 4,5 hectares em vaso, usando varas de vinhas velhas coletadas de áreas onde já trabalhava. As variedades brancas e tintas foram misturadas no plantio. O trabalho foi realizado com a ajuda de um agricultor do Douro, no norte de Portugal, enquanto profissionais do Alentejo duvidavam que o cultivo se desenvolvesse na região.
A enóloga afirma: “Fiz uma nova vinha velha”. Segundo ela, plantas da região sofreram com o calor e a falta de água, enquanto seu vinhedo e outras vinhas velhas arrendadas por ela resistiram.
Novos plantios na Vidigueira
Na Herdade do Peso, na Vidigueira, ao sul do Alentejo, o cultivo em vaso também foi adotado em novos vinhedos. O enólogo Luís Cabral de Almeida acompanha 10 hectares plantados gradualmente nos últimos cinco anos, dentro de uma área de 160 hectares cultivados. Um novo plantio de 20 hectares está previsto para o ano que vem.
Essas áreas ainda não são consideradas vinhas velhas, pois precisam de pelo menos três décadas de cuidados para receber essa classificação. A Herdade do Peso utiliza irrigação por gotejamento, defendida por Almeida como necessária. Ele relata que, em degustações às cegas, é possível reconhecer os vinhos desses vinhedos pelo frescor e pelas características frutadas.
Nesse sistema, as plantas ficam a 70 centímetros do chão, enquanto os vinhedos mais tradicionais mantêm as videiras a 40 centímetros. A escolha busca reduzir o aquecimento provocado pelo solo e preparar os vinhedos jovens para se tornarem, no futuro, vinhas antigas de qualidade.








