Uma gravação que mostra uma pessoa usando uniforme dos Correios e entregando panfletos com o número 1313, associado a Ricardo Coutinho, não indica que a empresa esteja fazendo propaganda eleitoral do PT. O material foi identificado como Mala Direta, serviço que pode ser contratado por candidatos, partidos e comitês para distribuir impressos.
A entrega de propaganda eleitoral por meio dos Correios é permitida pela Lei nº 6.538/78. As peças precisam ser identificadas no momento da postagem e cumprir as exigências estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Nesse caso, a distribuição representa a prestação de um serviço, e não a participação da empresa na campanha do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) a deputado federal pela Paraíba.
A publicação no X que divulgou o vídeo pede que o público acione o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e sugere uma intervenção. A gravação, porém, não apresenta contexto suficiente para concluir que os Correios estejam realizando campanha política. Também não foram encontrados indícios de que o vídeo tenha sido criado ou alterado por inteligência artificial (IA).
Como funciona a Mala Direta
A Mala Direta é usada para enviar materiais impressos a várias pessoas ou endereços, geralmente com finalidade de divulgação. Entre os conteúdos que podem ser distribuídos estão folhetos, catálogos, ofertas, convites e peças de campanha eleitoral.
Os Correios também prestam serviços relacionados ao processo eleitoral, como o transporte de urnas, mídias eletrônicas e materiais de apoio aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
A postagem havia alcançado 32,7 mil visualizações no X até 2 de outubro. O perfil responsável tinha 98 mil seguidores nessa rede social e 52,8 mil no Instagram. O usuário afirma ser jornalista e analista político, publica críticas a Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT e manifesta apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Não houve resposta às tentativas de contato feitas pelo Instagram e por e-mail até a publicação da análise.
A legenda usa expressões como “Flagrante” e “Marquem o TSE até eles responderem!” para estimular uma reação imediata. O enquadramento da publicação direciona a interpretação do vídeo, embora as imagens não permitam afirmar que os Correios estejam envolvidos em uma prática irregular.








