SÃO PAULO — A Controladoria-Geral do Município (CGM) prorrogou por até 120 dias o afastamento de uma servidora da Subprefeitura da Penha após ouvir a funcionária sobre uma vistoria relacionada ao prédio que desabou na zona leste de São Paulo. Ela havia assinado, em 2024, um laudo que apontava a demolição de uma estrutura construída irregularmente no terreno.
A servidora já estava afastada por 30 dias, depois que a Prefeitura identificou indícios de que a demolição exigida no alvará não havia sido realizada. A CGM também determinou, na segunda-feira, 14, o embargo de todas as obras em andamento na cidade pertencentes às construtoras envolvidas no caso. A análise de pedidos de alvará ainda pendentes apresentados pelas empresas foi suspensa.
Histórico da construção
A obra na Rua Tequici, na Penha, teria começado em 2019 sem alvará. O local passou por fiscalizações, recebeu multas e foi interditado pela Subprefeitura da Penha. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município conseguiu na Justiça uma liminar para interromper os trabalhos.
Um novo projeto foi apresentado à Prefeitura em 2022. Em agosto de 2023, o município concedeu um alvará para o terreno, condicionado à demolição da estrutura anterior. Meses depois, em fevereiro de 2024, a vistoria resultou no laudo que registrou o cumprimento da exigência.
A apuração municipal usa informações obtidas com moradores da região e imagens de satélite. A CGM afirmou que a decisão busca resguardar o interesse público enquanto são analisados os fatos e eventuais responsabilidades. O órgão não divulgará depoimentos nem antecipará as diligências realizadas ou previstas. Outras pessoas poderão ser ouvidas durante o procedimento.
Resgate e investigação
O prédio de 12 andares caiu por volta das 2h de sábado, 12, atingiu uma casa vizinha e deixou seis mortos, entre eles uma criança e uma mulher grávida. Um homem e uma menina de 7 anos foram resgatados com vida e levados a um hospital com escoriações leves.
A Polícia Civil investiga o desabamento. Um homem apontado como sócio-proprietário oculto da construtora responsável foi preso temporariamente, e outros dois mandados de prisão temporária foram expedidos contra representantes da empresa.
A construtora declarou que a edificação estava regularizada administrativamente e que ainda não é possível determinar a causa da queda. A empresa afirmou também que deve ser investigada uma obra nos fundos do terreno, com possível intervenção próxima às fundações. As defesas das construtoras não foram localizadas.








