SÃO PAULO — A Polícia Civil prendeu temporariamente, na manhã de domingo, 13, Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora. A empresa era responsável pela construção do edifício que desabou sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo. Ele foi levado ao 24º Distrito Policial, da Ponte Rasa, e permanece à disposição da Justiça.
Também foram expedidos mandados de prisão temporária contra Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável técnico pela obra, e Isis Brandão, mulher de Cristiano e sócia da construtora. Os dois são considerados foragidos.
A delegada Deidiene Fialho Costa Éboli, titular do 24º DP e responsável pela investigação, afirmou que as prisões consideraram indícios de que o risco de desabamento era previsível. A ausência dos responsáveis pela empresa para prestar esclarecimentos, fornecer informações técnicas e auxiliar nas buscas também foi levada em conta. “Tememos também pelo risco de fuga e destruição de possíveis provas”, disse.
Vítimas e buscas
O desabamento ocorreu por volta das 2h de sábado, 12, durante uma madrugada chuvosa. O prédio tinha 12 andares e atingiu a residência vizinha. Mais de 70 bombeiros e militares participaram da operação, com 22 viaturas e um cão farejador.
O Corpo de Bombeiros localizou oito vítimas. Uma menina de sete anos e um homem foram retirados com vida no sábado e levados ao Hospital Municipal do Tatuapé com escoriações leves. Na tarde de domingo, 13, os bombeiros encontraram o corpo da criança, que estava desaparecida.
Outras cinco pessoas morreram: três mulheres, uma delas grávida, e dois homens. As identidades não foram divulgadas. O Governo de São Paulo informou que sete vítimas eram bolivianas e uma, paraguaia. Os corpos serão transportados à Bolívia para o sepultamento.
Fiscalização e investigação
A Prefeitura de São Paulo informou que a obra começou em 2019 sem alvará, recebeu sucessivas fiscalizações da Subprefeitura da Penha, foi alvo de multas — uma delas de R$ 119 mil — e acabou interditada. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município obteve na Justiça uma liminar para a paralisação imediata dos trabalhos.
Um novo projeto foi apresentado em 2022. Em agosto de 2023, a prefeitura concedeu outro alvará, condicionado à demolição da estrutura anterior. Uma vistoria realizada em fevereiro de 2024 apontou que a exigência havia sido cumprida, mas o documento é investigado pela Controladoria-Geral do Município. A servidora responsável foi afastada por 30 dias.
Segundo checagens preliminares da prefeitura com moradores e imagens de satélite, a demolição exigida não teria ocorrido. A Polícia Civil requisitou documentos de pelo menos três empresas ligadas à construção, além de alvarás e permissões. Um laudo pericial de engenharia deverá auxiliar na apuração da causa técnica do colapso e em eventuais indiciamentos.
A construtora declarou ter aberto investigação interna. Também informou que a movimentação de terra em um terreno vizinho será analisada como possível fator relacionado ao desabamento e que não se exime de eventual responsabilidade apontada pelas investigações.








