A tentativa de recuperar dinheiro perdido aparece entre os principais sinais de risco associados às apostas online. De acordo com pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), 42% dos entrevistados que já apostaram disseram voltar ao jogo depois de perder dinheiro, na tentativa de reverter o prejuízo.
O levantamento foi realizado entre 22 e 25 de junho com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Do total, 22,8% afirmaram já ter participado de apostas online. Nesse grupo, 5,1% disseram ter contraído dívidas por causa das apostas.
Indicadores de perda de controle
A pesquisa mostra que 22,3% dos apostadores têm dificuldade para parar. Outros 29,1% relataram já ter sentido culpa pelo hábito, e 34,8% afirmaram ter recebido críticas por causa das apostas.
Também houve relatos de prejuízos pessoais. Entre os participantes, 6,9% disseram já ter se prejudicado ou afetado outra pessoa em razão das apostas. Desse grupo, 68% relataram perda de dinheiro.
A relação com o endividamento aparece em outros dados do levantamento: 42,9% dos entrevistados disseram ter alguma dívida. Entre aqueles que têm débitos, 45,9% afirmaram estar com os pagamentos atrasados.
Motivações e frequência
A possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente foi apontada por 33% dos apostadores como motivo para jogar. Para 25,4%, as apostas representam uma oportunidade de obter renda extra. O diretor-executivo do IFec-RJ, João Gomes, afirmou que há “uma falsa percepção dos apostadores de que o jogo representa uma forma de ganhar dinheiro rápido”.
O gasto médio mensal declarado foi de R$ 96,30. O instituto estima que 1,9 milhão de pessoas na Região Metropolitana do Rio tenham participado de apostas online, movimentando cerca de R$ 182 milhões por mês.
Entre os que já apostaram, 21,9% disseram jogar diariamente e 27,9% afirmaram apostar de uma a duas vezes por semana. As bets foram mencionadas por 60,9%, enquanto o Tigrinho apareceu entre 49,4% dos participantes.
O estudo estima gastos anuais de R$ 2,2 bilhões com apostas online, valor superior a três vezes a movimentação financeira calculada para as compras de Natal. Para João Gomes, o comportamento tem efeitos que vão além da esfera individual e alcançam a economia fluminense.








