BRASÍLIA — A cúpula da Polícia Federal recebeu com indignação e revolta a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da corporação. A medida foi tomada após pedido do partido Novo, em meio à crise institucional no Supremo e à desconfiança sobre a atuação de Rodrigues nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Leandro Almada, diretor de inteligência policial da PF, também foi afastado. A decisão está relacionada à produção de um documento apócrifo sobre a atuação de ministros do Supremo. Integrantes do alto escalão da Polícia Federal consideram a medida contra Rodrigues política. Mendonça foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar pelo envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.
Rodrigues ainda não havia sido notificado. Quando receber a comunicação oficial, deverá transferir o cargo para William Murad, diretor-executivo da PF. Na manhã desta terça-feira (8), Rodrigues chegava à Academia Nacional de Polícia Federal, em Brasília, para a abertura do curso de formação de novos agentes quando foi informado sobre o afastamento. Ele permaneceu por cerca de 40 minutos em uma sala reservada, reunido com diretores e auxiliares para discutir os próximos passos.
Murad discursou na cerimônia e, sem mencionar diretamente a decisão, reafirmou a confiança da corporação em Rodrigues.
Fundamentação e julgamento
Mendonça justificou o afastamento pela “superlativa gravidade e ilicitude na produção de ‘relatórios de inteligência’ pela Polícia Federal”. Os documentos foram usados pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra Mendonça. A PF afirma que eles não têm valor probatório.
O ministro também declarou que foi monitorado pela inteligência da PF por mais de 30 dias, assim como o advogado-geral da União, Jorge Messias. Conforme a decisão, relatórios produzidos entre 3 e 31 de agosto indicam acompanhamento sistemático e “coleta dirigida” de informações sobre os dois.
A decisão liminar foi enviada à análise da Segunda Turma do STF, que já formou maioria para mantê-la. Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam os votos e acompanharam Mendonça. O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes, que tem até 90 dias para devolver o caso. A solicitação não impede o cumprimento da decisão.








