A segurança das tatuagens ainda não pode ser considerada totalmente comprovada, segundo pesquisadores. As complicações mais conhecidas incluem infecções bacterianas, alergias e outras reações do sistema imunológico. Também existem investigações sobre possíveis efeitos de longo prazo, como uma eventual relação com câncer.
Durante o procedimento, agulhas depositam a tinta entre 1 e 3 milímetros de profundidade na pele. A ferida pode ser afetada por bactérias presentes na pele, por equipamentos contaminados ou pela própria tinta. Estudos estimam que entre 2% e 67% das pessoas tenham algum tipo de complicação.
Uma pesquisa realizada em uma clínica de tatuagem na Dinamarca identificou que 11% das complicações eram infecções bacterianas e 37% eram reações alérgicas. Infecções podem surgir poucos dias após o procedimento e causar vermelhidão, secreção e febre. Em muitos casos, é necessário tratamento com antibióticos.
Reações e composição das tintas
A Food and Drug Administration (FDA) relatou ter encontrado bactérias em 35% das mais de 200 tintas testadas, incluindo produtos rotulados como estéreis. Em 2012, cientistas já haviam detectado bactérias associadas a um surto em um recipiente de tinta ainda fechado, indicando que a contaminação poderia ocorrer durante a fabricação.
Alergias também podem ser provocadas por produtos usados nos cuidados posteriores, quando a pele está sensível. Reações à tinta podem aparecer meses ou anos depois e ocorrem com mais frequência em pigmentos vermelhos. A área afetada pode apresentar coceira ou ficar elevada, às vezes restrita a uma única cor.
Em 2024, John Swierk e colegas descobriram que 83% das tintas analisadas continham pigmentos ou aditivos não informados nos rótulos. Segundo Swierk, a comunidade científica ainda não consegue afirmar que as tatuagens são definitivamente seguras ou inseguras.
Possível relação com câncer
Parte da tinta pode chegar aos linfonodos, e os pesquisadores investigam se a composição química dos pigmentos ou a reação do sistema imunológico pode contribuir para o câncer. Em 2024, um estudo de grande porte identificou que pessoas tatuadas poderiam ter risco maior de linfoma.
Christel Nielsen, pesquisadora de saúde pública da Universidade de Lund, afirmou que o risco de linfoma é muito baixo e que o resultado não prova que tatuagens causem câncer. Outros estudos sobre linfoma e câncer de pele tiveram resultados inconclusivos.
Para reduzir os riscos, Christopher Bunick recomenda verificar se não há feridas abertas na região antes da tatuagem e manter a área limpa e protegida do sol depois do procedimento. Marie Leger orienta evitar pigmentos vermelhos em caso de preocupação com alergias.
Sinais de infecção ou mudanças na textura da pele meses ou anos após a tatuagem devem ser avaliados por um médico. A escolha de fazer o procedimento é pessoal, mas deve considerar os riscos conhecidos e o grau de incerteza sobre seus efeitos de longo prazo.








