A PoliHealth, healthtech brasileira ligada ao Grupo DNA, desenvolveu uma plataforma para levar informações genéticas ao momento da decisão clínica. A ferramenta organiza exames e cruza os dados com resultados laboratoriais, histórico familiar e hábitos de vida, com o objetivo de facilitar a consulta do médico ao prontuário eletrônico.
A empresa também trabalha no Tangi, uma carteira digital de saúde descrita como em fase final de testes. O sistema deve reunir exames e permitir que o paciente defina quais profissionais podem acessar as informações.
O dado que fica escondido
Estudos internacionais citados pela PoliHealth indicam que parte dos dados genéticos já disponíveis nos sistemas de saúde não aparece de forma estruturada. Uma pesquisa do Vanderbilt University Medical Center (VUMC), nos Estados Unidos, conduzida por Lisa Bastarache e colegas e publicada no American Journal of Human Genetics em 2025, analisou prontuários de 1,86 milhão de pacientes entre 2002 e 2022.
O levantamento identificou que mais de um terço dos exames genéticos catalogados estava inserido no texto livre das anotações clínicas, e não em laudos estruturados. A proporção passou de 14,8% em 2002 para 48,9% em 2022.
Outro estudo, realizado em uma instituição da rede eMERGE e publicado em 2021, apontou que os médicos visualizaram apenas 1% dos resultados genéticos integrados ao prontuário naquele centro. Os dois trabalhos foram feitos em instituições únicas nos Estados Unidos e não medem a prática médica brasileira.
A proposta da plataforma
A PoliHealth afirma que exames de alta complexidade costumam circular por sistemas fragmentados e ser anexados ao prontuário como arquivos estáticos, sem indexação. Nesse formato, o resultado pode não reaparecer quando houver uma decisão clínica relacionada a ele.
Rodrigo Faria Matheucci, fundador e CEO da PoliHealth e sócio da DNA Club, atribui parte do problema à arquitetura dos prontuários eletrônicos. “O prontuário eletrônico tradicional é excelente no que foi desenhado para fazer: registrar o atendimento, guardar histórico e organizar a agenda”, afirma.
Segundo Matheucci, esses sistemas não foram projetados para analisar um resultado genético com milhares de variantes, relacioná-lo a exames laboratoriais e indicar ao médico quais informações exigem atenção.
Na farmacogenética, área que avalia como variantes genéticas alteram a resposta a medicamentos, a empresa sustenta que a maioria da população possui variantes capazes de influenciar a eficácia ou a segurança de remédios de uso corrente. Para a PoliHealth, quando esse dado não aparece na prescrição, podem ocorrer exames duplicados e atrasos diagnósticos.
Controle e proteção das informações
A plataforma, segundo a empresa, interpreta a maioria dos formatos de dados genéticos brutos disponíveis no mercado e exibe as informações na tela do médico durante a consulta. Como esses exames são dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a companhia afirma que a análise é feita de forma anonimizada e que não compartilha os dados com seguradoras, laboratórios ou farmacêuticas.
Matheucci também declara que o dado pertence ao paciente. A PoliHealth projeta alcançar 30 mil profissionais de saúde em três anos.









