Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Love bombing: quando o excesso de afeto vira controle no relacionamento

Elogios intensos, contato constante e ciúme podem indicar manipulação emocional, segundo psicólogas que estudam relações abusivas.

Love bombing: quando o excesso de afeto vira controle no relacionamento
Foto: freshidea/Adobe Stock

Demonstrações intensas de afeto no começo de um relacionamento podem esconder uma tentativa de controle. Conhecido como love bombing, o comportamento envolve elogios excessivos, atenção constante e promessas de compromisso usadas para conquistar a outra pessoa e, mais tarde, limitar sua autonomia.

A psicóloga clínica Ramani Durvasula, professora emérita da California State University, Los Angeles, descreve a prática como “idealização e sedução que se torna o prelúdio daquilo que será manipulação emocional e controle”. O padrão, porém, pode ser difícil de reconhecer porque se confunde com um início apaixonado e intenso.

Como o comportamento aparece

Entre os sinais estão dizer repetidamente que a outra pessoa é perfeita, comprar presentes, organizar encontros luxuosos e enviar mensagens ao longo do dia. Também é comum querer encontrar o parceiro todos os dias, aparecer no trabalho, fazer ligações frequentes e falar em uma casa ou em filhos pouco depois do início da relação.

A psicóloga Chitra Raghavan, do John Jay College of Criminal Justice, afirma ter identificado um período de love bombing em quase todos os casos de violência doméstica que atendeu. Ela ressalta, no entanto, que não existem estatísticas claras sobre a relação entre esse comportamento e os abusos.

Os elogios podem explorar inseguranças específicas. Quem se preocupa com a aparência pode receber declarações sobre sua beleza; quem duvida da própria inteligência pode ser exaltado por sua capacidade. A estratégia cria a impressão de que somente o novo parceiro reconhece o valor daquela pessoa.

O termo surgiu na década de 1970, associado à Igreja da Unificação, movimento religioso sul-coreano que críticos e ex-membros descreveram como uma seita. Hoje, a expressão é usada principalmente para falar de relações amorosas marcadas por intensidade exagerada no início.

Quando a dinâmica muda

A atenção excessiva pode deixar o parceiro sobrecarregado, sem tempo para avaliar a velocidade da relação ou os próprios sentimentos. Nem todas as pessoas que adotam esse comportamento se tornam abusivas, e pesquisadores não têm certeza de que exista, desde o começo, uma intenção clara de controlar ou prejudicar.

Segundo Amy Brunell, psicóloga da Ohio State University, quem pratica love bombing frequentemente, mas não sempre, apresenta traços narcisistas e comportamentos associados à sensação de que tudo lhe é devido. Essas pessoas também podem testar o comprometimento do parceiro, interrompendo mensagens e ligações para provocar preocupação e obter demonstrações de afeto.

Outro sinal é tratar amizades e interesses pessoais como ameaças. Ramani define esse mecanismo como uma escolha forçada entre o parceiro e outras pessoas. Quando há resistência ao afastamento de amigos ou hobbies, a reação pode vir acompanhada de raiva.

Atenção aos limites

A distinção entre interesse genuíno e love bombing nem sempre é imediata. Especialistas recomendam observar como a pessoa reage a limites, amizades e interesses próprios. Pressionar o parceiro a provar lealdade ou ressentir-se diante de uma recusa são sinais de alerta.

O fim da relação também pode provocar retaliações, como mensagens furiosas, xingamentos e perseguição. Uma mulher identificada como Sue contou que precisou se mudar para outro Estado para escapar da insistência do namorado em procurá-la.

A orientação é levar o desconforto a sério e não se culpar por não reconhecer o padrão desde o início. “Se parecer que é demais”, disse Amy Brunell, “provavelmente é”.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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