BRASÍLIA — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu o ministro Alexandre de Moraes após a divulgação de conversas entre o integrante do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao mesmo tempo, novas denúncias passaram a questionar a atuação de Alcolumbre na condução de pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
Na quarta-feira, 2, um dia depois da revelação dos diálogos, Alcolumbre mencionou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também teve conversas com Vorcaro divulgadas. “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. Agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.
As mensagens foram extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e tratavam de detalhes da Operação Compliance Zero, que levou o banqueiro à prisão em duas ocasiões.
Na sexta-feira, 4, entraram no sistema do Conselho de Ética do Senado uma representação de Felipe Santos Burmann e uma denúncia de Rafael de Azevedo da Silva. O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPI do INSS e é candidato à reeleição, também apresentou uma denúncia contra Alcolumbre.
Viana pediu o afastamento provisório de Alcolumbre da Presidência e a investigação de atos e omissões atribuídos a ele como senador e comandante do Senado. O documento cita a competência da Casa para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade e afirma que nenhum pedido de impeachment contra integrantes da Corte teve sequência sob a presidência de Alcolumbre.
O senador sustenta que o Senado deve manter o direito de analisar os pedidos, inclusive para rejeitá-los quando não houver justa causa. “As prerrogativas do cargo existem para fazer o Senado funcionar; não para impedir que ele funcione”, escreveu.
A denúncia de Rafael de Azevedo da Silva tem teor semelhante e também questiona a falta de andamento de requerimentos de Comissão Mista Parlamentar de Inquérito relacionados ao Banco Master. O Conselho de Ética analisa representações e denúncias contra senadores. Se os procedimentos avançarem, podem resultar em advertência, censura verbal ou escrita, perda temporária do mandato e cassação.
A última reunião do colegiado ocorreu em 9 de julho de 2024. Até sexta-feira, 4, havia sete petições contra Alcolumbre motivadas pela falta de andamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo. A primeira foi protocolada em março de 2020 por Wilson Issao Koressawa, ex-juiz do Tribunal de Justiça do Amapá, e acabou indeferida. As outras seis foram apresentadas a partir de 2025, quando Alcolumbre voltou à Presidência do Senado. Entre elas, cinco foram protocoladas por cidadãos comuns e uma pelo Partido Novo, em março deste ano.
Na quinta-feira, 3, Alcolumbre criticou as agressões dirigidas a ele. “Está impossível o que nós estamos vivendo hoje. As pessoas estão felizes de ofender as outras”, disse. O presidente do Senado não se manifestou sobre as novas denúncias.








