O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o candidato ao Senado Filipe Barros (PL) remova de suas redes sociais um vídeo que associa Gleisi Hoffmann (PT) a animais ligados à traição e à dissimulação e a casos de corrupção sem acusação ou dos quais ela foi absolvida.
A decisão foi tomada nesta quarta-feira (23) pelo ministro Floriano de Azevedo Marques. O conteúdo deverá ser retirado do Instagram e do Facebook em até 24 horas. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) terá de notificar Barros e a Meta, sob as penas do artigo 347 do Código Eleitoral, que trata do crime de desobediência.
No vídeo, imagens produzidas por inteligência artificial transformam Gleisi em cobra, escorpião, raposa e bicho-preguiça. As cenas aparecem ao mesmo tempo que manchetes sobre a Operação Lava Jato. A decisão afirma que o material omite a absolvição unânime da candidata pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal nº 1003.
O conteúdo também atribui a Gleisi o chamado roubo dos aposentados. Conforme a decisão, não há registro dessa acusação em investigação, denúncia ou condenação.
Alcance e recurso
A liminar considerou o risco de dano diante da proximidade do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e o alcance das contas do candidato. Os perfis de Filipe Barros têm 808 mil seguidores no Instagram e 1,4 milhão no Facebook.
A medida concedeu efeito suspensivo ativo ao recurso especial apresentado por Gleisi contra decisão do TRE-PR. A corte regional havia rejeitado a representação após empate de 3 a 3, resolvido pelo voto do presidente do tribunal.
Floriano reiterou entendimento do TSE, firmado em processo sob sua relatoria em outubro de 2025, de que esconder uma absolvição judicial torna falsa e descontextualizada uma acusação criminal contra adversário. O ministro também citou decisão recente do tribunal segundo a qual a liberdade de expressão não permite vincular candidato a crimes sem provas mínimas.








