SÃO PAULO — A desistência de Ricardo Salles da disputa pelo Senado paulista foi apresentada por Tarcísio de Freitas como um exemplo de que diferenças podem ser deixadas de lado em torno de um projeto comum da direita. O governador de São Paulo defendeu que Romeu Zema e Ronaldo Caiado avaliem um movimento semelhante na eleição presidencial.
O anúncio da saída de Salles ocorreu na manhã desta segunda-feira, 28, em um ato com o próprio ex-candidato e os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Tarcísio afirmou respeitar as candidaturas de Zema e Caiado, mas sustentou que a união poderia favorecer Flávio Bolsonaro (PL) e criar a possibilidade de derrotar o presidente Lula (PT) já no primeiro turno.
“É uma eleição que pode ser definida no detalhe. Obviamente, a gente está dando um exemplo”, disse Tarcísio em entrevista a jornalistas. Para o governador, há uma responsabilidade com o futuro do Brasil e seria desejável reunir toda a direita na reta final da disputa.
Posição de Salles
Salles declarou que tem “obrigação moral” de apoiar Zema enquanto o candidato do Novo mantiver a campanha ao Planalto. Ele também afirmou que apoiaria uma eventual decisão do correligionário de desistir.
O ex-governador de Minas Gerais, segundo a avaliação de aliados de Tarcísio, não avançou nas pesquisas. A movimentação em São Paulo poderia aumentar a pressão para que Zema abra mão da candidatura presidencial. Nos últimos dias, aliados do próprio Novo declararam voto útil em Flávio Bolsonaro, entre eles Marina Helena, candidata a deputada federal e um dos principais quadros do partido em São Paulo.
Salles afirmou que a possibilidade de uma vitória de Lula e do PT no primeiro turno justificaria seu apoio a uma eventual retirada de Zema. Tarcísio, por sua vez, disse que, diante da chance de afastar o PT já nessa etapa, seria desejável que os demais candidatos fizessem esse gesto.
A assessoria de Zema informou que ele não vai desistir. A campanha de Caiado ainda não havia se manifestado.








