CEUTA — O governo espanhol assumiu neste sábado (5) o controle da área portuária de Ceuta para preparar um espaço provisório de acolhimento a migrantes que permanecem na cidade após cruzarem ilegalmente a fronteira com o Marrocos em julho. A instalação deve atender mais de mil pessoas.
A transferência de controle ocorreu depois que o Conselho de Administração da Autoridade Portuária de Ceuta, ligado à cidade autônoma, rejeitou na última sexta-feira a solicitação da Secretaria de Estado de Migrações para instalar as estruturas no porto. Uma ordem oficial determinou a ocupação temporária da área.
O documento prevê tendas e outros espaços para descanso, enfermaria, dispensário, atendimento, intervenção social e serviços de saúde. A medida foi contestada por moradores dos bairros Junta de Obras do Porto e Parques de Ceuta, que pediram a "paralisação imediata" das obras e relataram "indignação e profunda preocupação".
A Confederação de Empresários de Ceuta (CECE) também se posicionou contra a utilização dos terrenos. A entidade declarou apoio à decisão da Autoridade Portuária e pediu ao governo espanhol que descarte qualquer iniciativa para ceder, preparar ou ocupar áreas destinadas ao abrigo de migrantes em situação irregular.
Estimativas sobre os migrantes
Parte das pessoas que chegaram em julho retornou voluntariamente ao país de origem. Milhares, porém, continuam em Ceuta; algumas vivem em barracos improvisados na praia, enquanto outras estão espalhadas pelo município.
O governo espanhol calcula que 5 mil migrantes ainda estejam no território. O governo local informou, em 1º de setembro, uma estimativa entre 8 mil e 9 mil pessoas. Organizações não governamentais apontam um número de até 20 mil.
Entre os que cruzaram a fronteira, 1,5 mil menores foram colocados pela Polícia Nacional à disposição do governo de Ceuta, conforme o Ministério do Interior. Eles estão em diferentes centros preparados para atender à crise migratória.
As organizações No Name Kitchen e Associação Elín, que auxiliam migrantes na região, acusaram o governo espanhol de tratamento desumano. As entidades mencionaram falta de acesso a água e comida e o uso de violência em devoluções forçadas ao Marrocos.








