Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Programas de mudança nos EUA esbarram em moradia e empregos locais

Incentivos financeiros atraem alguns trabalhadores, mas cidades rurais ainda enfrentam dificuldades para oferecer serviços, casas e oportunidades.

Programas de mudança nos EUA esbarram em moradia e empregos locais
Foto: Adobe Stock

CONDADO DE LINCOLN, KANSAS — A falta de moradias para aluguel impediu que interessados de lugares tão distantes quanto Nova York se mudassem para Neodesha, cidade de cerca de 2.500 habitantes a leste de Wichita. O caso mostra um dos principais limites dos programas que oferecem dinheiro para atrair moradores a áreas rurais dos Estados Unidos: o incentivo pode chamar atenção, mas não substitui infraestrutura, empregos e serviços locais.

Moradia é um dos principais obstáculos

Chris Bauman, diretor de desenvolvimento comunitário de Neodesha, afirmou que nenhum benefício foi concedido pela cidade. Segundo ele, pessoas chegaram a procurar o programa, mas não encontraram apartamentos disponíveis. A avaliação é que possíveis novos moradores preferem testar a vida na comunidade antes de assumir o custo de comprar uma casa.

Em Ottawa, a oferta de terrenos gratuitos para a construção de imóveis também não encontrou interessados. Com recursos estaduais, quatro residências foram construídas nesses lotes e rapidamente compradas por pessoas que já viviam no Kansas.

A dificuldade se repete em outras localidades. Parte dos municípios não conseguiu distribuir todo o dinheiro reservado aos incentivos, enquanto a concorrência por novos moradores aumentou. No programa estadual, um dos critérios é ter salário anual mínimo de US$ 55 mil, valor que nem professores de escolas rurais recebem.

Incentivo ajuda, mas não decide sozinho

No condado de Lincoln, Kelly Gourley colocou em funcionamento, em 2023, uma iniciativa voltada a trabalhadores remotos. O programa atraiu cinco pessoas no primeiro ano, algumas acompanhadas dos filhos. Depois, apenas uma pessoa se qualificou para um novo benefício estadual, e três dos trabalhadores que haviam chegado deixaram a região.

Gourley, diretora de desenvolvimento econômico local, defende que a estratégia não se limite ao pagamento. O programa também oferecia ovos frescos de fazenda durante um ano e auxílio de voluntários, geralmente integrantes do time local de futebol americano, para descarregar caminhões de mudança. Ela ainda ajudava os recém-chegados a criar vínculos e encontrar formas de participar de organizações comunitárias.

“Acho que o incentivo em dinheiro é a isca”, disse Gourley. Para ela, a integração depois da mudança tem peso maior na permanência dos moradores.

A cidade de Topeka, no Kansas, distribuiu 229 cheques de US$ 5 mil a US$ 15 mil desde 2019. Os pagamentos foram destinados a pessoas nascidas na cidade que retornaram e a funcionários que se mudaram para o condado.

Kaustav Ghose recebeu US$ 10 mil ao deixar o norte da Virgínia para assumir um cargo mais bem remunerado e com mais responsabilidades na Advisors Excel. Ele afirmou que o valor foi apenas um incentivo adicional e que a oportunidade profissional foi o motivo principal da mudança.

Programas se espalharam após a pandemia

As iniciativas ganharam força na década de 2010 e foram ampliadas depois da pandemia de covid-19, quando parte dos trabalhadores de escritório passou a ter mais liberdade para morar longe da sede das empresas. O alto custo da moradia também afastou pessoas das grandes cidades.

O Tulsa Remote começou em 2018, oferecendo US$ 10 mil a trabalhadores remotos, e já atraiu 4 mil pessoas para Tulsa. A experiência estimulou projetos semelhantes. A plataforma MakeMyMove, criada por ex-executivos da Angi, estima que 1.500 pessoas se mudarão neste ano por meio de seus programas.

O volume é pequeno diante dos cerca de 7,5 milhões de norte-americanos que trocaram de Estado em 2023. A plataforma ajudou governos estaduais a financiar incentivos: Indiana destinou mais de US$ 7,8 milhões, enquanto Wisconsin aprovou US$ 5 milhões.

No Kansas, o Estado reservou US$ 3 milhões para dois anos e distribuiu os recursos entre 12 administrações locais. Ottawa, com quase 13 mil habitantes, informou estar perto da meta de atrair dez famílias. Salina avançou no plano de trazer 20 famílias em dois anos.

Dinheiro precisa vir acompanhado de qualidade de vida

Em Iowa, Newton paga US$ 10 mil a quem compra uma casa nova avaliada em mais de US$ 240 mil. As autoridades atribuem ao programa o estímulo à construção de imóveis, embora metade dos 132 beneficiários já morasse na cidade.

Detroit lançou um programa de US$ 500 mil para conceder 313 benefícios. O dinheiro pode ser recebido tanto por moradores atuais quanto por recém-chegados e deve ser direcionado a imóveis residenciais e negócios que gerem ganhos para a cidade.

Em sentido contrário, Vermont encerrou em 2023 uma experiência de cinco anos com incentivos. No condado de St. Clair, em Michigan, Randy Maiers reduziu o programa iniciado em 2016 e passou a priorizar espaços públicos para estimular a convivência.

O noroeste do Arkansas também encerrou sua iniciativa, que oferecia US$ 10 mil e uma bicicleta gratuita. A região já atraía trabalhadores por meio de empresas como Walmart, Tyson Foods e J.B. Hunt.

James Hoelscher, especialista em desenvolvimento econômico rural da University of Northern Iowa, disse que as comunidades passaram a encarar a atração de moradores como uma disputa. A avaliação de Gourley é semelhante: o condado de Lincoln precisa mostrar o que oferece, como a convivência comunitária e os espaços abertos.

A redução da mobilidade dos norte-americanos e as tendências demográficas tornam a disputa mais difícil. Uma análise do Federal Reserve de Cleveland apontou que os chamados migrantes de retorno representam apenas uma pequena parcela da população. Kenan Fikri, do Economic Innovation Group, afirmou que a desaceleração de longo prazo nas mudanças de residência continua, deixando as comunidades mais dependentes de tendências populacionais amplas.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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