SÃO PAULO — Os planos de governo de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (PL) colocam a educação entre os principais eixos das candidaturas ao governo de São Paulo. As propostas divergem nas prioridades: Tarcísio enfatiza a formação profissional e a conexão com o mercado de trabalho, enquanto Haddad concentra o programa na redução das desigualdades, no ensino integral e na valorização dos professores.
O plano de Tarcísio, chamado “Educação na Trilha Certa”, prevê elevar de 45% para 60% a parcela de estudantes da rede estadual com acesso ao ensino técnico profissionalizante. A proposta também inclui o Observatório de Profissões do Futuro, voltado à identificação de tendências do mercado e de novas competências.
Outra medida é a ampliação do BEEM (Bolsa Estágio do Ensino Médio), que deverá ser triplicado para alcançar mais de 50 mil estudantes em estágios remunerados. O programa também prevê o uso de ferramentas tecnológicas para identificar riscos de evasão escolar com base em dados de frequência, desempenho, comportamento e condições socioeconômicas. A inteligência artificial deverá entrar na grade curricular, dos anos iniciais ao ensino médio.
Alfabetização e ensino integral
Entre as prioridades de Tarcísio está o Alfabetiza Juntos SP, cuja meta é alfabetizar 90% das crianças do estado até o fim de 2030. O plano prevê ainda reforço estruturado em língua portuguesa e matemática, tutoria individual ou em pequenos grupos, organização dos estudantes por nível de proficiência e avaliações contínuas.
O projeto inclui os programas Professor Tutor e Pacto pela Matemática, além da educação financeira. Também está prevista a expansão do Programa de Ensino Integral e a criação de novas Escolas do Futuro, com laboratórios, espaços de cultura e esporte, ambientes para estudo individualizado e projetos interdisciplinares. A previsão é abrir mais de 35 mil novas vagas em tempo integral e elevar o investimento em infraestrutura para R$ 7,2 bilhões.
Haddad propõe o programa Hora de Aprender, em parceria com os 645 municípios paulistas, para melhorar a alfabetização na idade certa. A meta é alcançar 100% de crianças alfabetizadas nessa etapa até o fim do mandato.
O candidato também defende a ampliação do ensino integral e a aproximação entre a formação escolar e a educação profissional, com aproveitamento da estrutura do Centro Paula Souza, das Etecs e das Fatecs.
Universidades e professores
O plano de Haddad prevê o fortalecimento de USP, Unicamp, Unesp e Fapesp, tratadas como instituições de Estado, com respeito à autonomia universitária e à estabilidade do financiamento. A proposta inclui aproximar a pesquisa dos desafios de São Paulo e fortalecer a formação inicial e continuada de professores.
Na área profissional, Haddad propõe revisar o modelo de plataformização do ensino para reduzir o tempo gasto pelos docentes com sistemas e tarefas burocráticas. O documento prevê formação continuada e melhores condições de trabalho, além do uso da tecnologia como apoio, sem substituição do professor.
Os candidatos também divergem sobre as escolas cívico-militares. Tarcísio prevê ampliar esse modelo como opção para famílias que desejem maior ênfase em rotina, disciplina, organização e responsabilidade. Haddad afirma que não pretende avançar com a implantação ou ampliação de novas unidades e declara discordar do formato por não acreditar em sua eficácia pedagógica.








