A magistratura brasileira reúne aproximadamente 19 mil juízas e juízes e, em 2025, enfrentou o maior volume de novos processos desde o início da série histórica do Justiça em Números. Foram 40,9 milhões de casos novos, enquanto o Judiciário baixou 45,2 milhões de processos e atingiu índice de atendimento à demanda de 110,4%.
Os dados são apresentados pelo presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que defende que episódios individuais não sejam usados para definir toda a carreira. Na avaliação dele, o resultado indica que a Justiça ampliou sua capacidade de resposta mesmo com o crescimento contínuo da procura.
Entre 2009 e 2025, o número de novos processos aumentou 61%, enquanto o volume de julgamentos avançou 88%. O estoque processual caiu pelo segundo ano consecutivo, apesar da expansão da demanda.
Controle disciplinar
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) exerce controle disciplinar nacional sobre a magistratura há duas décadas. Entre 2006 e 2026, 203 magistrados foram alcançados por sanções disciplinares. Considerado o contingente atual da carreira, o número equivale a 1,06% dos aproximadamente 19 mil integrantes.
Entre as situações que levaram à responsabilização estão atrasos injustificados no cumprimento de prazos, demora na análise de pedidos urgentes, falta de urbanidade e descumprimento de deveres administrativos. O presidente da AMB sustenta que essas condutas devem ser apuradas e receber resposta institucional, mas não autorizam atribuir falta de idoneidade a todo o Poder Judiciário.
A posição defendida é que instituições respeitáveis devem investigar os casos, individualizar responsabilidades e aplicar as sanções previstas em lei. Nenhum erro grave deve ser relativizado, mas a exceção também não deve se transformar no retrato de uma instituição inteira.
Na avaliação da entidade, a quantidade de processos também revela a centralidade da Justiça na vida social: os brasileiros recorrem ao Judiciário em busca de respostas para conflitos que não conseguiram resolver por outros caminhos. A maioria dos magistrados, afirma o presidente, trabalha diariamente no julgamento de milhões de processos, com ética, independência, serenidade e responsabilidade.








