Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes indicam que o banqueiro tentou obter a intervenção do ministro junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para interromper as investigações sobre o banco Master.
Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso pela primeira vez, Vorcaro perguntou a Moraes se seria possível reverter o avanço das apurações. O banco é suspeito de operar uma fraude financeira estimada em R$ 12 bilhões. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, escreveu o banqueiro.
A pressão ocorreu antes de Vorcaro acusar, sem apresentar provas, a Polícia Federal de ter recusado uma proposta de delação premiada para proteger Andrei Rodrigues. A acusação foi feita em depoimento prestado no último dia 27 ao gabinete do ministro André Mendonça.
A oitiva foi solicitada pela defesa de Vorcaro, que alegou que ele vinha sendo ameaçado por policiais. O depoimento ocorreu no mesmo dia em que o banqueiro seria ouvido por videoconferência pela Polícia Federal em outro inquérito. A corporação não participou da oitiva.
Até o momento, a Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) não divulgaram manifestação pública de apoio a Andrei Rodrigues. As entidades também não se posicionaram desde o início dos atritos entre a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal nos casos Master e INSS.
Em outra frente, Andrei Rodrigues enviou ao Supremo Tribunal Federal seis relatórios de inteligência sobre André Mendonça. Os documentos foram produzidos desde o início de agosto, quando os atritos entre os dois ministros se intensificaram, e entregues em papel a Alexandre de Moraes.
O ofício, protocolado às 14h55 da última quarta-feira, 2, informou que o envio atendia a uma ordem de Moraes no inquérito das fake news. Os relatórios registram que não têm valor probatório nem podem ser usados como acusação. O material foi produzido para uso interno do diretor-geral da Polícia Federal e não tinha a intenção de ser incluído em processo.








