Sérgio Janikian, pré-candidato à presidência do Corinthians, defendeu que a reforma do Estatuto do clube seja retomada com segurança jurídica. A Assembleia Geral que discutiria as mudanças foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo após um recurso apresentado por conselheiros vitalícios.
A reunião estava marcada para este sábado, 19, e previa a análise de 11 temas. Entre eles, estava a possibilidade de conceder direito de voto ao Fiel Torcedor. A eleição para a presidência do Corinthians será realizada em 28 de novembro de 2026.
Janikian afirmou que, na avaliação dele, houve um erro na forma como a proposta foi construída. O pré-candidato disse não acreditar que os conselheiros fossem contrários à reforma e classificou a situação como uma disputa política nos bastidores.
Ele também questionou a validade de 15 destaques que seriam votados separadamente. Segundo sua interpretação, esses pontos faziam parte do texto-base analisado pelo Conselho Deliberativo. Como o texto-base foi rejeitado, os destaques deixariam de existir e poderiam ser questionados sob o ponto de vista da segurança jurídica.
O pedido de suspensão citou, entre outros argumentos, um possível desrespeito à atribuição do Conselho de Orientação para propor alterações estatutárias. Também foram levantadas dúvidas sobre a aprovação dos temas, já que o texto-base do anteprojeto havia sido rejeitado em reunião do Conselho Deliberativo, em 4 de maio.
“Não foram os três conselheiros que pararam a Assembleia, foi o magistrado”, afirmou Janikian. Para ele, os conselheiros levaram a questão à Justiça e a suspensão foi determinada pelo desembargador.
Voto do Fiel Torcedor
Janikian declarou ser favorável à participação do Fiel Torcedor nas eleições, mas defendeu a criação de critérios. Atualmente, o Estatuto prevê que o interessado seja associado e cumpra uma carência de alguns anos para votar e ser votado.
O pré-candidato avaliou que permitir o voto imediatamente, sem regras definidas, poderia abrir espaço para uma estrutura considerada prejudicial ao clube. Por outro lado, afirmou que um sistema bem estabelecido ampliaria a base política, daria mais transparência e tornaria o Corinthians mais democrático.
A definição de quem teria direito ao voto também foi usada pelos conselheiros no pedido de suspensão. Eles sustentaram que as eleições de novembro poderiam ser influenciadas caso o Fiel Torcedor, sob a denominação de Associado de Futebol, pudesse votar neste ano.
Episódio envolvendo o Guaraní
Antes de disputar a presidência do Corinthians, Janikian foi diretor de futebol do clube em 2015, durante a gestão de Roberto de Andrade. Naquele período, antes dos confrontos das oitavas de final da Libertadores, ele agradeceu a Deus pelo Guaraní, do Paraguai, ter sido sorteado como adversário.
O time paraguaio era considerado, na ocasião, o adversário que teria menos possibilidade de causar problemas ao Corinthians. O clube paulista, porém, acabou eliminado, e Janikian deixou o cargo dias depois.
Ele negou que tenha saído da função por causa da declaração. Disse que tentou alterar práticas relacionadas a ingressos, corrente política e fornecedores, mas não teve êxito. Sobre a frase, afirmou que não houve maldade e que hoje trata o episódio com leveza.
No Parque São Jorge, Janikian contou que passou a ser chamado de “Serginho de Deus”. O ex-diretor disse que encara as brincadeiras numa boa.








