Sérgio Janikian, pré-candidato à presidência do Corinthians, criticou os empréstimos contratados pelo clube com juros elevados e questionou o uso de receitas futuras para cobrir compromissos imediatos. A eleição presidencial está marcada para 28 de novembro de 2026.
Conselheiro do Corinthians, Janikian afirmou ter conversado com o presidente Osmar Stabile sobre duas operações. Segundo o pré-candidato, a primeira teria sido contratada a CDI mais 10%, enquanto a segunda teria alcançado CDI mais 18%. Ele também disse que Stabile alegou não encontrar bancos de primeira linha dispostos a negociar com o clube.
Janikian comparou o custo do primeiro empréstimo ao contrato de renegociação do Corinthians com a Caixa, citado como CDI mais 2%. Na avaliação dele, a taxa poderia representar 24% ou 25% de juros ao ano e chegar a aproximadamente 30% no valor final, considerando os juros sobre juros.
A segunda operação teria envolvido a antecipação de parte das receitas do Esportes da Sorte, patrocinador máster do Corinthians, por meio de um fundo financeiro. Janikian afirmou que o empréstimo foi usado para pagar a folha antes do jogo contra o Estudiantes, em um valor noticiado de mais de R$ 30 milhões.
Outra operação mencionada no contexto do fluxo de caixa foi o empréstimo de 8,5 milhões de dólares, equivalente a R$ 44 milhões na cotação apresentada, para o pagamento da dívida relacionada à contratação do meia-atacante Rodrigo Garro. O valor seria quitado em 26 parcelas mensais.
Posição sobre eventual gestão
Janikian descartou emprestar dinheiro próprio ao Corinthians caso seja eleito. Ele afirmou que a operação poderia gerar conflito de interesses, já que ocuparia simultaneamente as posições de presidente e credor do clube. Também disse que não há previsão estatutária para esse tipo de movimento.
Embora não pretenda financiar diretamente o Corinthians, o pré-candidato afirmou que usaria sua credibilidade no meio empresarial para buscar alternativas junto a pessoas da Faria Lima, políticos, bancos e outras fontes de financiamento. A prioridade, segundo ele, seria reduzir as despesas para aproximá-las das receitas atuais.
Sobre a possibilidade de denunciar os empréstimos, Janikian reconheceu que o Estatuto do Corinthians não proíbe o presidente de realizar esse tipo de operação. Para ele, a prática não seria ilegal, mas imoral. O pré-candidato também afirmou que o modelo associativo não é responsável pelos problemas financeiros e criticou o aumento da folha de pagamento em relação à gestão de Augusto.
Dívidas e recuperação judicial
Janikian defendeu que o passivo do Corinthians seja tratado como um conjunto de compromissos de curto, médio e longo prazo, e não apenas como dívida vencida. Ele citou valores renegociados, compromissos futuros, impostos, débitos com a Caixa e obrigações relacionadas ao Regime Centralizado de Execuções (RCE).
O pré-candidato mencionou quase R$ 3 bilhões em compromissos financeiros, mas disse que esse montante reúne diferentes prazos e naturezas. Para ilustrar a diferença entre dívida vencida e compromisso, usou como exemplo um pagamento previsto para 15 de setembro e não quitado em 16 de setembro.
Janikian afirmou que ainda não tem posição definida sobre uma eventual recuperação judicial. Segundo ele, seria necessário conhecer a situação financeira efetiva do clube antes de tomar uma decisão. Ao mesmo tempo, disse que os mecanismos de recuperação judicial não podem ser descartados, embora não devam ser tratados como solução única e imediata.
Sérgio Janikian foi diretor de futebol do Corinthians em 2015, durante a gestão de Roberto de Andrade, e permaneceu três meses no cargo.








