Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Investigação sobre emendas e Cezinha está parada no STF desde 2025

Apuração do Gaeco aponta suspeitas sobre recursos para eventos culturais em São Paulo; deputado e investigados negam irregularidades.

Investigação sobre emendas e Cezinha está parada no STF desde 2025
Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Uma investigação sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a eventos da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo está parada no Supremo Tribunal Federal (STF) desde agosto de 2025. O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) aparece entre os principais investigados por causa de uma emenda de R$ 4 milhões que, segundo o Ministério Público de São Paulo, teria sido encaminhada à pasta.

A apuração começou no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com gravações autorizadas pela Justiça, quebras de sigilos e análise de mensagens, áudios e depoimentos. O material indica, segundo os promotores, a participação de vereadores e ex-vereadores em um esquema no qual parte dos recursos voltaria aos autores dos repasses.

Caso chegou ao Supremo

Como Cezinha é deputado federal, o Ministério Público de São Paulo encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao STF. A perícia dos celulares de empresários envolvidos nos eventos conseguiu acessar os dados em 2025. Desde então, não houve operação para aprofundar a apuração nem depoimentos tomados pela PGR ou pela Polícia Federal.

Em 5 de março de 2026, os promotores pediram ao STF informações sobre o andamento do processo. A resposta não foi apresentada aos integrantes do Gaeco, embora o sistema do tribunal indicasse que ela havia sido proferida sob sigilo. Em 18 de agosto, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, arquivou o pedido.

Os promotores não haviam sido informados de que o caso tinha sido distribuído ao ministro Nunes Marques em 19 de dezembro de 2025. Depois que um dos envolvidos apresentou um pedido de informações ao gabinete do ministro em 3 de setembro, o STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foram questionados sobre a tramitação. Não houve resposta. O gabinete de Nunes Marques afirmou que o processo estava na PGR e negou que houvesse paralisação.

Suspeita de retorno aos parlamentares

A investigação aponta que de 20% a 35% dos valores destinados por vereadores à Secretaria de Cultura e repassados a empresas de shows e espetáculos retornariam aos parlamentares. Os promotores também apuram a possibilidade de cachês superfaturados.

Cada vereador tinha à disposição R$ 2,5 milhões por semestre para emendas. Em 2020, a Secretaria Municipal de Cultura recebeu R$ 50,5 milhões, acima dos R$ 50,2 milhões destinados à Secretaria da Saúde, conforme a análise do Gaeco.

As apurações alcançam conversas de empresários, assessores, secretários, chefes de gabinete, vereadores e do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O prefeito e os secretários citados negam as acusações. A Prefeitura afirma que Nunes nunca recebeu valores de contratos, convênios, emendas ou entidades relacionadas ao poder público e que a existência da investigação não comprova as acusações.

Entre os investigados estão os vereadores Marcelo Messias, João Jorge, Ely Teruel, Gilberto Nascimento Junior, Rubinho Nunes e Eliseu Gabriel. Também são citados os ex-vereadores Milton Leite, Arselino Tatto, Zé Turin, Rinaldi Digilio, Mário Covas Neto e Noemi Nonato. Parte deles negou participação; outros não foram localizados ou não responderam.

Também aparecem na apuração Rute Costa, André Santos, Milton Ferreira, Celso Jatene, Eduardo Tuma e Camilo Cristóforo, citados por causa de recursos destinados a entidades suspeitas. Gilson Barreto e Quito Formiga são investigados no capítulo relacionado à chamada máfia das creches.

Mensagens citam prefeito e deputado

A investigação começou em 17 de março de 2021, após o então vereador Fernando Holiday relatar ao Gaeco uma proposta atribuída a Zé Turin. Em 2023, a Justiça autorizou quebras de sigilos telemáticos de empresários apontados como operadores de empresas e organizações não governamentais usadas no esquema.

Dezesseis empresas receberam R$ 26,1 milhões de 16 vereadores entre 2017 e 2020. Outras sete foram relacionadas ao recebimento de recursos entre 2021 e 2024. Os sigilos bancário e fiscal de todas as empresas foram quebrados.

Segundo os promotores, mensagens entre os empresários Antônio Cerqueira Júnior e Adenílson Dias dos Santos, conhecido como Doninha, indicariam percentuais de retorno de até 35%. Os diálogos também mencionariam um “Grande Chefe”, identificado pelo Gaeco como Ricardo Nunes.

Em uma das conversas, Cerqueira Júnior teria informado a Nunes que Cezinha conversaria com o prefeito para viabilizar eventos. Em outro diálogo, o empresário afirmou que um show de um padre havia sido realizado com os R$ 4 milhões atribuídos à emenda do deputado. Os promotores disseram que Nunes demonstrava saber do assunto.

Cezinha nega a existência da emenda. Em manifestação, afirmou que não há registro oficial de destinação de R$ 4 milhões à Secretaria Municipal de Cultura ou ao município de São Paulo e disse permanecer à disposição para esclarecimentos. Os demais citados também negam irregularidades, e alguns afirmam desconhecer o conteúdo da investigação.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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