A sucessão de Jair Bolsonaro ganhou destaque em uma reportagem de capa da revista de fim de semana do Financial Times, publicada neste sábado, 26. O material apresenta Flávio Bolsonaro como possível herdeiro político do pai, mas aponta disputas familiares, dificuldades eleitorais e revelações sobre conversas do senador com Daniel Vorcaro como fatores que podem afetar sua campanha.
Assinado por Michael Pooler, o texto descreve Jair Bolsonaro como líder de um grupo familiar marcado por conflitos internos e forte influência na política brasileira. Flávio aparece como o candidato escolhido para tentar preservar a dinastia política, enquanto Michelle Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro são apresentados em papéis distintos na estrutura familiar.
Sucessão e cenário eleitoral
A revista afirma que Flávio começou atrás nas pesquisas, mas reduziu a distância nas sondagens mais recentes. Sua base estaria entre as classes média e alta e os evangélicos. Entre as propostas atribuídas a ele estão o corte de gastos públicos, medidas favoráveis ao empresariado, a redução da maioridade penal para 16 anos e a construção de novas prisões.
O senador é descrito como o integrante mais moderado da família, embora enfrente o desafio de escolher entre manter o legado de Jair e apresentar um novo bolsonarismo. A publicação também registra que aliados o consideram um candidato fraco e que setores empresariais e da centro-direita procuraram alternativas sem o sobrenome Bolsonaro, como Tarcísio de Freitas.
Se Flávio vencer, a revista avalia que a família poderá consolidar uma dinastia política. O texto também afirma que ele pressionaria o Congresso por uma anistia ampla para os envolvidos na conspiração golpista e para condenados pelo 8 de Janeiro. Nesse cenário, Jair Bolsonaro poderia tentar retornar à disputa presidencial em 2030.
Em caso de derrota, a publicação aponta o fim da Era Bolsonaro e a abertura de espaço para uma direita mais moderada. O texto relaciona essa possibilidade à ausência de um sucessor evidente para Luiz Inácio Lula da Silva.
Conflitos entre os Bolsonaro
O ponto de partida da reportagem é um vídeo de Michelle Bolsonaro, interpretado como exposição pública de uma disputa antiga com Flávio. A publicação afirma que a relação entre Michelle e os filhos políticos de Jair é fria, mas civilizada, e que Carlos não teria mais contato com a madrasta.
Michelle é descrita como uma cristã devota e como uma figura importante durante o mandato presidencial de Jair, especialmente em pautas relacionadas a doenças raras e à comunidade surda. Carlos aparece como um político de atuação combativa nas redes sociais. Eduardo é apresentado como o filho mais parecido com o pai em estilo e ligado a grupos internacionais da direita.
Eduardo mora no Texas desde 2025, foi expulso do Congresso e corre risco de prisão se retornar ao Brasil, segundo a publicação. Por isso, é tratado como alguém fora da sucessão política. Carlos teria iniciado a carreira eleitoral em 2000, aos 17 anos, após ser lançado pelo pai para disputar uma vaga na Câmara do Rio.
Bolsonaro e a campanha de Flávio
A reportagem relembra a trajetória de Jair Bolsonaro, suas posições em defesa da ditadura militar e da tortura, declarações homofóbicas e a ascensão como alternativa antiestablishment em meados da década de 2010. Também cita sua aproximação com o agronegócio, cristãos conservadores e integrantes das forças de segurança.
O texto trata a pandemia de Covid-19 como um divisor de águas, mencionando a defesa da expressão “gripezinha”, a promoção de tratamentos sem eficácia comprovada e as acusações de atraso na compra de vacinas. Também descreve o 8 de janeiro como a última tentativa de mantê-lo ilegalmente no poder e cita Alexandre de Moraes como responsável por supervisionar o julgamento.
Na campanha de Flávio em 2026, a revista menciona gafes e a solicitação de dinheiro a um suspeito de fraude bancária para supostamente financiar um filme sobre Jair. O projeto teria recebido ao menos 12,3 milhões de dólares de um empresário preso.
A publicação também afirma que Flávio foi chamado de “traidor da pátria” pelo governo Lula após publicar uma foto no Salão Oval com Donald Trump e depois do anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil. A revista informa que Eduardo e Flávio não responderam aos pedidos de comentário, que Carlos e Jair Renan não foram localizados e que Michelle se recusou a comentar.








