BRASÍLIA — George Marques da Silva e Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), invocou a liberdade de expressão após republicar mensagens relacionadas a uma desinformação sobre Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida. Uma das publicações pedia a continuidade da disseminação do conteúdo mesmo depois de desmentidos. A mensagem foi apagada posteriormente.
Marques também compartilhou textos que acusavam o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de impor censura e restrições à liberdade de expressão. As republicações ocorreram depois de o ministro André Mendonça determinar a retirada de mais de 1 mil postagens das redes sociais.
“Decisão do ministro André Mendonça que derruba posts de milhares de contas em todas as plataformas digitais já é considerada uma das maiores restrições à liberdade de expressão da década”, dizia uma das mensagens republicadas pelo servidor no X, antigo Twitter.
Conteúdo sobre Nossa Senhora Aparecida
Desde a noite de quarta-feira, 23, perfis de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a compartilhar versões de uma informação que vinculava Flávio Bolsonaro a um projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
O projeto foi apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e propunha alterar a lei que criou o feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro. A mudança substituiria a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto está arquivado desde 2008.
A disseminação aumentou na quinta-feira, 24, depois de o programa Em Pauta, da GloboNews, abordar uma suposta mobilização de evangélicos em torno do projeto. O programa afirmou que uma reação da Igreja Católica poderia favorecer Lula entre os católicos. Horas depois, a emissora exibiu uma correção e pediu desculpas pelo erro.
Mesmo após os desmentidos, Marques republicou uma mensagem que pedia a continuidade do compartilhamento do conteúdo falso. O texto afirmava que a informação precisava chegar ao interior do Nordeste e ao interior do Norte.
Ao ser questionado, George Marques disse não se lembrar da republicação. Segundo ele, caso tenha feito o compartilhamento, isso ocorreu por engano, durante uma sequência de republicações. O coordenador afirmou que a mensagem não representava sua posição.
Reação da campanha e da Secom
A campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao Ministério Público Eleitoral a prisão do servidor. Em nota, a Secom classificou o requerimento como arbitrário e afirmou que as manifestações de Marques foram feitas em caráter estritamente pessoal.
A secretaria também declarou compromisso com a liberdade de expressão e de religião e criticou o que chamou de patrulhamento e censura no episódio. Entre as publicações republicadas pelo coordenador estava uma que dizia que a Igreja Católica estaria sendo perseguida no Brasil por Flávio Bolsonaro.
O Instituto Democracia em Xeque (IDX) identificou uma mudança no tom de perfis governistas nas redes sociais. O monitoramento indicou que o debate sobre o caso Nossa Senhora Aparecida deixou de se concentrar apenas na questão religiosa e passou a abordar também a censura, principalmente neste sábado, 26.








