Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Política

Flávio tenta ampliar imagem moderada enquanto enfrenta acusações e caso Vorcaro

Pré-candidato do PL busca herdar eleitorado de Jair Bolsonaro, mas enfrenta questionamentos sobre financiamento de filme, rachadinha e milícias.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como uma alternativa mais moderada dentro do bolsonarismo, enquanto enfrenta questionamentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e acusações antigas ligadas ao período em que foi deputado estadual no Rio de Janeiro. O senador nega irregularidades nos dois casos.

A estratégia de campanha combina a tentativa de manter o eleitorado do pai, Jair Bolsonaro, com a busca por eleitores que rejeitam o estilo e posições mais extremas do ex-presidente. Em vídeos publicados nas redes sociais, Flávio destaca a rotina familiar, afirma ser o Bolsonaro que tomou vacina e procura se diferenciar da atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19.

O caso envolvendo Daniel Vorcaro

A estratégia foi atingida pela divulgação de conversas em que Flávio cobrava de Vorcaro aportes para a produção de um filme sobre a história de seu pai. O banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões no ano passado, enquanto o financiamento total previsto chegaria a R$ 134 milhões.

Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada com potencial para atingir altas autoridades. Flávio afirmou que buscava patrocínio privado para um filme privado e negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou qualquer benefício.

Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o episódio dificulta a tentativa de reduzir a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro e a casos de corrupção. Na avaliação dele, o episódio interrompe o processo de construção de uma imagem de gestor diferente do pai.

Pesquisas e disputa pelo eleitorado

Flávio foi escolhido por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência pelo PL e subiu nas pesquisas desde o anúncio feito em dezembro. Os levantamentos citados apontam empate entre ele e Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno.

Entre dezembro e maio, Flávio avançou nove pontos percentuais entre eleitores de 16 a 34 anos, chegando a 45%, contra 38% de Lula. Entre pessoas com renda entre 2 e 5 salários-mínimos, alcançou 44%, ante 40% do presidente. Entre as mulheres, passou de 31% para 36%, mas continuou atrás de Lula, que tinha 45%.

A campanha também busca atrair jovens, integrantes da classe média e mulheres. Nas redes sociais, Flávio publicou conteúdos sobre a importância econômica do Carnaval e temas ligados às mulheres, como feminicídio, creches e a trajetória de Berta Lutz, Antonieta de Barros e Maria da Penha.

Acusações do período na Alerj

A imagem moderada convive com suspeitas relacionadas ao período em que Flávio atuou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, de 2003 a 2018. O Ministério Público acusou o então deputado de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro em um caso envolvendo Fabrício Queiroz e servidores do gabinete.

Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões, e pelo menos R$ 2 milhões teriam chegado à conta de Queiroz. Outros R$ 2 milhões teriam sido disponibilizados por meio de saques em espécie. A denúncia também citou 169 boletos pagos em dinheiro, entre 2013 e 2018, referentes à escola das filhas de Flávio e ao plano de saúde da família, no total de R$ 247 mil.

O caso foi paralisado por decisões judiciais relacionadas ao foro privilegiado e à validade das provas. O Superior Tribunal de Justiça anulou decisões que autorizaram quebras de sigilos bancário e fiscal. O Supremo Tribunal Federal anulou relatórios do Coaf que fundamentaram a investigação. O Ministério Público informou que o caso foi encerrado após decisão do ministro Gilmar Mendes em fevereiro de 2025.

Relações com policiais acusados de milícia

Flávio também é questionado por homenagens a policiais militares, entre eles Adriano da Nóbrega, em 2003 e 2005. Nóbrega foi acusado de atuar como miliciano e de chefiar o Escritório do Crime. A mãe dele e a então esposa trabalharam no gabinete de Flávio até 2018.

O senador afirma que não conhecia as acusações criminais contra Nóbrega quando fez as homenagens e nega ter defendido milícias. Também sustenta que as denúncias contra ele foram motivadas por perseguição política.

O deputado Lindbergh Farias e outros integrantes do PT afirmam que não existe um Bolsonaro moderado e associam Flávio às mesmas agendas do ex-presidente. Aliados, como Damares Alves e Rogério Marinho, rejeitam as acusações e dizem que os ataques se intensificaram depois do anúncio da candidatura.

A campanha ainda disputa uma parcela estimada entre 10% e 12% do eleitorado, que não se identifica automaticamente com nenhum dos polos da polarização. Para Sanches, esse grupo pode decidir o voto apenas na reta final, o que mantém aberta a disputa pela imagem política de Flávio.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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