Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Flávio Bolsonaro admite negociação com Vorcaro após negar vínculo com o banqueiro

Senador reconheceu ter buscado recursos para um filme sobre Jair Bolsonaro, mas antes associava o Banco Master ao PT e à esquerda.

As mudanças nas versões de Flávio Bolsonaro sobre sua ligação com Daniel Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter negociado com Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagamentos para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração veio após o vazamento de mensagens e áudios em que o senador cobrava parcelas do banqueiro.

Antes disso, Flávio negava qualquer ligação da família com Vorcaro e associava o escândalo do Banco Master ao PT, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à esquerda. Durante um evento de pré-campanha em Santa Catarina, chegou a usar uma camiseta com a frase “O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula”.

O senador também defendia a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o caso. Em manifestação divulgada na quarta-feira (13/05), afirmou que procurou patrocínio privado para a produção de um filme privado sobre a história do próprio pai.

O contrato e as cobranças

Daniel Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para a produção de Dark Horse, que ainda não foi lançada. O valor total combinado seria de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. Diante da interrupção dos pagamentos, Flávio teria enviado mensagens ao banqueiro para cobrar a liberação das parcelas.

Em vídeo, o senador disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando ainda não havia acusações contra ele. Também afirmou que não ofereceu vantagens, não promoveu encontros privados fora da agenda, não intermediou negócios com o governo e não recebeu dinheiro ou outro benefício além do que classificou como financiamento do filme.

“Sim, tinha um contrato”, declarou Flávio ao explicar que Vorcaro deixou de cumprir as parcelas previstas. O banqueiro está preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro, e negocia um acordo de delação premiada.

Declarações anteriores

Na quarta-feira, antes da divulgação das mensagens, Flávio foi questionado sobre o financiamento e respondeu que a informação era mentira. Em 23 de março deste ano, ao republicar uma entrevista, afirmou que a associação entre sua família, a extrema direita e Vorcaro era uma narrativa criada por Lula.

O senador também acusou Rui Costa e Jaques Wagner de terem relação com a estruturação do modelo de crédito consignado do CredCesta, ligado ao Banco Master. Costa era governador da Bahia no período da privatização da estatal Ebal, enquanto Wagner ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico do estado em 2018.

Dados enviados pela Receita Federal à CPI que investiga o crime organizado indicaram que, entre 2022 e 2024, o Master registrou R$ 2,4 bilhões em receita com a venda de carteiras de consignados do CredCesta, contra R$ 1,9 bilhão gerado pelas mesmas operações.

Costa afirma que vendeu um negócio estatal deficitário para reduzir o prejuízo público, nega irregularidades e classifica as acusações como desinformação. Wagner também nega envolvimento e diz que não participou de negociações nem intercedeu por empresas ou contratos.

Críticas ao PT e à esquerda

Em publicações de 25 de março, 9 de maio e 10 de maio, Flávio voltou a relacionar o Banco Master ao PT e a Lula. O senador disse que o partido tentou impedir a CPI e questionou se isso teria relação com políticos da Bahia e com pagamentos recebidos por uma empresa ligada à família de Jaques Wagner.

Em março, após a divulgação de uma doação de R$ 3 milhões feita pelo cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que o repasse ocorreu sem vinculação ou contrapartida. Também declarou que a relação do Banco Master estava longe de chegar à direita.

O senador criticou ainda uma reunião entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, que não havia sido registrada em agenda oficial. Ao comentar a possibilidade de delação do banqueiro, Flávio disse esperar que ele revelasse tudo o que sabe.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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