Reportagens sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro colocaram em dúvida declarações do senador sobre o Banco Master e o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. Antes da divulgação das informações, Flávio havia defendido uma ampla apuração sobre o caso e usado uma camisa com a frase: “O Pix é do Bolsonaro. O Master é do Lula.”
Em uma abordagem feita pouco antes da publicação das reportagens, o repórter Thalys Alcântara perguntou a Flávio se ele havia negociado com Vorcaro pagamentos para a produção do filme. O senador teria negado os pagamentos, chamado o jornalista de “militante” e afirmado que se tratava de dinheiro privado. A abordagem, segundo o relato, durou 20 segundos.
Depois, conversas divulgadas mostraram mensagens de proximidade entre Flávio e Vorcaro. Em uma delas, o senador escreveu: “Estou e estarei contigo sempre”. O contato teria ocorrido um dia antes de Vorcaro ser preso. O senador também é acusado de ter omitido a relação com o banqueiro enquanto se apresentava como um dos críticos do escândalo do Banco Master.
Valores e versões sobre o filme
A agência de checagem Aos Fatos afirmou que Flávio contou ao menos 12 mentiras sobre o caso antes da publicação das reportagens. Em outro episódio, o senador teria admitido o recebimento de dinheiro de Vorcaro para o filme, enquanto a produtora, com apoio de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, negou ter recebido qualquer valor.
A negociação mencionada envolveria R$ 134 milhões. O texto também afirma que o filme não teria recebido os R$ 61 milhões combinados. A produção teria registrado denúncias de comida estragada, alimentação insuficiente, longas jornadas de trabalho e atrasos de pagamento.
A Polícia Federal suspeita que recursos destinados ao projeto tenham sido usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O dinheiro teria sido transferido pela Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Vorcaro, para um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas.
Na última quinta-feira, conversas privadas também teriam mostrado que Vorcaro aceitou receber Jair Bolsonaro em sua mansão em Brasília para assistir a um documentário. O encontro teria relação com um pedido de apoio ao financiamento de “Dark Horse”, mas não há confirmação de que a reunião ocorreu.
O caso provocou versões divergentes entre integrantes do bolsonarismo. As informações sobre a ligação financeira entre Vorcaro, Flávio e a produção cinematográfica seguem no centro das acusações e das suspeitas mencionadas no episódio. O Intercept Brasil enfrenta mais de 25 processos na Justiça, conforme a informação divulgada ao final do material.








