Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Filme sobre Bolsonaro é alvo de denúncias trabalhistas durante gravações

Relatório do SATED/SP reúne 15 ocorrências sobre alimentação, pagamentos, revistas pessoais e condições de trabalho em Dark Horse.

Mesmo com aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro, filme sobre Bolsonaro foi denunciado por condições precárias
Foto: Reprodução/Evaristo SA/AFP

A produção de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, foi alvo de denúncias trabalhistas durante as gravações no estado. Um relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP) reúne 15 ocorrências registradas por figurantes e técnicos envolvidos no filme.

Os relatos mencionam comida estragada, alimentação considerada insuficiente para jornadas superiores a 8 horas, atrasos em pagamentos, cachês abaixo do padrão de mercado e revistas pessoais classificadas como invasivas. Também há denúncia de agressão física contra um figurante, que informou ter registrado boletim de ocorrência e que faria exame de corpo de delito.

Relatos de trabalhadores

Segundo o documento, o elenco estrangeiro tinha acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service. Os figurantes brasileiros recebiam um kit com pão com frios, uma maçã, uma paçoca e um suco. Parte dos trabalhadores afirmou que essa alimentação não era suficiente para longos períodos de trabalho.

O relatório registra ainda o fornecimento de comida estragada em 30 de outubro de 2025. As reclamações chegaram ao sindicato também por mensagens de WhatsApp.

Outros relatos citam contratação informal por grupos de WhatsApp, pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal e atrasos nos cachês. Alguns figurantes disseram que precisavam pagar R$ 10 pelo transporte até os locais de gravação, com cobrança em dinheiro ou desconto no valor da diária.

As denúncias também descrevem episódios recorrentes de assédio moral. Nas revistas realizadas na entrada das locações, seguranças teriam tocado partes íntimas e os seios de figurantes.

O SATED/SP informou que não fez acusações diretas contra a produção. O sindicato afirmou que os relatos devem ser apurados pelas autoridades competentes, com garantia de contraditório e ampla defesa.

O documento também aponta possível uso de equipe técnica estrangeira sem o recolhimento de taxas previstas na Lei nº 6.533/78. Conforme o relatório, não foram registrados pagamentos ao SATED/SP ou ao SINDICINE pela contratação desses profissionais, nem houve envio de contratos para obtenção do visto obrigatório das entidades sindicais.

Financiamento e resposta da produtora

A produção também passou a ser questionada após a divulgação de mensagens e áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material indica que Vorcaro teria transferido R$ 61 milhões para o filme entre fevereiro e maio de 2025, por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

Em um áudio enviado em setembro de 2025, Flávio Bolsonaro demonstrou preocupação com os atrasos nos pagamentos: “Tá num momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”. Em outra mensagem, convidou Vorcaro para um jantar com Jim Caviezel, protagonista do longa.

Flávio afirmou que o financiamento foi feito com dinheiro privado e negou irregularidades. Depois, confirmou ter pedido recursos ao banqueiro e disse não manter “relações espúrias” com ele.

A GOUP Entertainment negou que Vorcaro, o Banco Master ou empresas sob controle dele estejam entre os financiadores. A produtora declarou que não há “um único centavo” dessas partes no projeto e criticou associações entre o filme e fatos sem comprovação documental, financeira ou contratual.

De acordo com a Ancine, o orçamento do longa é de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, tem roteiro desenvolvido com Mark Nowrasteh a partir de argumento de Mario Frias e retrata a campanha presidencial de 2018 e o atentado sofrido por Bolsonaro no período eleitoral. A produção ainda busca distribuição internacional, com especulações sobre uma possível estreia em setembro de 2026.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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