A combinação entre o número de senadores de oposição e a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno é apontada como medida da capacidade de influência política associada à ala de força do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação considera que o resultado das eleições poderá funcionar como um plebiscito indireto sobre a atuação da Corte.
A análise sustenta que integrantes dessa ala cometeram um erro político ao vincular a crise interna do STF ao desfecho eleitoral. Embora disponham de instrumentos de coerção contra adversários e de influência sobre parte relevante dos aparatos de segurança, esses grupos teriam menos capacidade de controlar os fatores que influenciam a formação do voto.
Crise de legitimidade
A atuação política do STF é descrita como uma resposta à luta pela sobrevivência institucional, em um momento de falta de legitimidade do Judiciário. Essa escolha teria reduzido a prudência da Corte e ampliado sua exposição diante do eleitorado.
Outro ponto destacado é a perda de contato com a realidade social. A avaliação relaciona esse distanciamento à percepção de superioridade de uma casta que preserva privilégios, estabelece alianças com o Executivo e parte do Legislativo e utiliza o controle de investigações como instrumento de pressão.
Também é mencionada a recusa em admitir que uma parcela relevante da sociedade perdeu a confiança no Judiciário. Nesse ambiente, críticas à Corte são atribuídas, por seus dirigentes, a uma campanha “industriada” por agentes financeiros ligados ao escândalo do Master e por setores da imprensa.
A ala de força do STF é apresentada como vencedora nas disputas internas do poder em Brasília. Ao longo do tempo, teria ampliado seus poderes, assumido funções políticas, legislado com pouca contestação e usado instrumentos de exceção. O texto relaciona ainda esse processo à aproximação de integrantes com interesses privados e afirma que o caso Master pode terminar como um tropeço, caso não fosse a proximidade das eleições.








