Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Política

Documento ligado a André Marinho detalha plano de minerais para eventual governo Flávio

Apresentação de 22 páginas foi produzida antes de encontros de André Marinho e Flávio Bolsonaro com autoridades dos Estados Unidos.

Um documento elaborado por André Marinho apresenta diretrizes para uma parceria entre Brasil e Estados Unidos voltada à exploração de minerais críticos e terras raras em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A apresentação, escrita em inglês, tem 22 páginas e traz na capa a identificação “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”, além do slogan “Prosperity Partnership” nas demais páginas.

A autoria aparece nos metadados do arquivo e foi confirmada pelo próprio André Marinho. O documento foi produzido em 19 de março deste ano, cerca de duas semanas antes de Marinho viajar aos Estados Unidos para se reunir com o vice-presidente J.D. Vance. Em maio, Flávio Bolsonaro se encontrou com Vance e com Donald Trump em Washington.

Marinho é candidato do Partido Novo a governador do Rio de Janeiro e filho do suplente de Flávio Bolsonaro ao Senado. Ele afirmou que a apresentação foi uma iniciativa pessoal, não tinha relação com a campanha e não foi levada a autoridades americanas. A campanha de Flávio não informou se encomendou o material, se concorda com as propostas ou se esperava que elas fossem apresentadas nos Estados Unidos.

Proposta de alinhamento com os Estados Unidos

A apresentação descreve um eventual governo de Flávio como uma alternativa para ampliar a participação brasileira na cadeia de minerais críticos e reduzir a dependência de fornecedores chineses. O documento afirma que o Brasil poderia se tornar um fornecedor e polo de processamento alinhado ao Ocidente no Hemisfério Ocidental, com industrialização, geração de empregos e autonomia estratégica.

O chamado “Flávio Bolsonaro Way” é organizado em três princípios: o país não continuaria exportando apenas matéria-prima; não se tornaria estruturalmente dependente das cadeias chinesas de processamento; e se alinharia aos Estados Unidos para construir um sistema de abastecimento paralelo.

O governo Lula é classificado no material como “pró-China”. Entre os pontos citados estão uma suposta ambiguidade geopolítica, a flexibilidade de alinhamento com a China, o avanço regulatório lento em relação às terras raras e aos minerais críticos, a industrialização incerta e uma atração de capital considerada reativa.

Como riscos de continuidade do governo petista, o documento menciona a possibilidade de o Brasil se tornar fornecedor de matérias-primas para a China, perder oportunidades industriais e deixar passar uma janela de realinhamento da cadeia de suprimentos dos Estados Unidos. Em contraste, a proposta para um governo Flávio lista alinhamento ocidental, execução, política industrial integrada à mineração, aceleração regulatória e atração de capital.

“A diferença é simples: Lula hesita, Bolsonaro executa”, afirma a apresentação.

Investimentos e empregos projetados

Entre os possíveis resultados para os Estados Unidos, o documento cita a redução da dependência em relação à China e a garantia de cadeias de suprimento para infraestrutura de inteligência artificial, sistemas de defesa, transição energética e mobilidade elétrica.

Para o Brasil, o material prevê avanço na cadeia de valor, atração de capital ocidental de longo prazo, criação de empregos de alta qualificação e aumento da influência geopolítica. A apresentação também projeta que o país poderia se tornar um dos três principais fornecedores globais fora da China e um polo de processamento do Hemisfério Ocidental.

A proposta estratégica é dividida em seis pilares: aceleração de reformas na legislação minerária e no licenciamento; demanda pelos minérios brasileiros apoiada pelos Estados Unidos e estabilidade de preços; processamento e industrialização no país; união de capital americano com ativos brasileiros; entrada do Brasil em um bloco de suprimentos alinhado aos Estados Unidos; e classificação dos materiais como ativos de segurança nacional.

Para um horizonte de dez anos, o documento estima potencial de investimento de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em mineração, refino e processamento. Também projeta a criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e um aumento de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no PIB.

Na mensagem final destinada a interlocutores americanos, a apresentação afirma que o Brasil oferece escala geológica, territorial e de oportunidade. Em troca, aponta como necessidades brasileiras a certeza de demanda, o alinhamento de capital e a parceria estratégica. Para os Estados Unidos, menciona uma base de suprimentos confiável, de grande escala e independente da China.

Encontros e acusações sobre financiamento

Nove dias após a elaboração do documento, em 28 de março, Flávio Bolsonaro discursou na CPAC, em Dallas, Texas. Na ocasião, disse que o Brasil seria o campo de batalha do futuro do hemisfério e uma solução para os Estados Unidos reduzirem a dependência da China em minerais críticos, especialmente terras raras.

No início de abril, André Marinho esteve nos Estados Unidos e se encontrou com J.D. Vance. O encontro foi articulado por Robert Kennedy Jr. Marinho afirmou que conversou com o vice-presidente sobre a expansão do crime organizado no Rio de Janeiro e as conexões de facções criminosas com redes internacionais.

Em 26 de maio, Flávio Bolsonaro se reuniu com Donald Trump em Washington. Segundo o senador, a conversa tratou de tarifas, terras raras e da possibilidade de designar facções criminosas brasileiras como terroristas. No dia seguinte, 27 de maio, ele se encontrou com J.D. Vance e com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

André Marinho também admitiu ter analisado com a Rockbridge Network a instalação de uma célula do grupo no Brasil. Ele teria aproximado da organização o empresário Pedro Sang, citado por Renan Santos como intermediário de supostos repasses para a campanha de Flávio.

Renan Santos, do Missão, acusou a campanha de Flávio de receber dinheiro americano por meio da Rockbridge. Não foram apresentadas provas sobre a acusação. A legislação eleitoral proíbe que partidos e candidatos recebam, direta ou indiretamente, doações de entidades ou governos estrangeiros.

Marinho negou qualquer tratativa relacionada a recursos estrangeiros e afirmou: “Não enviei nem apresentei esse conteúdo a nenhuma autoridade americana”. A campanha de Flávio não respondeu às perguntas enviadas na tarde de 12 e manteve aberto o espaço para manifestação.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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