Um documento elaborado por André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro e aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), propõe uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para explorar e processar minerais críticos e terras raras em um eventual governo do senador. A apresentação, porém, é contestada pelo próprio autor, que nega ter produzido o material para a campanha ou tê-lo apresentado a autoridades americanas.
Em inglês, o arquivo se chama “Prosperity Partnership” (“Parceria para a Prosperidade”), tem 22 páginas e exibe na capa a inscrição “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”. Nas páginas seguintes, aparece uma logomarca com o nome do senador e o mesmo slogan.
Proposta de alinhamento com Washington
O plano defende que o Brasil deixe de exportar apenas matéria-prima e passe a concentrar etapas de processamento no próprio país. Também propõe reduzir a dependência das cadeias chinesas e aproximar o setor mineral brasileiro dos Estados Unidos, com a formação de uma rede de fornecedores alinhada a Washington.
A apresentação atribui ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma orientação “pró-China”, avanço regulatório lento, industrialização incerta e atração reativa de investimentos. O documento afirma que uma eventual continuidade de Lula poderia manter o Brasil como fornecedor de matérias-primas para a China, reduzir oportunidades industriais e fazer o país perder uma janela de reorganização das cadeias americanas de suprimentos.
Como alternativa, o material apresenta um governo de Flávio baseado em alinhamento ocidental, aceleração de regras, integração entre mineração e política industrial e atração de capital. “A diferença é simples: Lula hesita, Bolsonaro executa”, afirma um trecho.
Para os Estados Unidos, a proposta prevê ampliar a segurança no fornecimento de minerais usados em infraestrutura de inteligência artificial, sistemas de defesa, transição energética e mobilidade elétrica.
Investimentos e empregos
A chamada proposta estratégica é organizada em seis pilares. Entre as medidas estão alterações na legislação minerária e no licenciamento, apoio americano à demanda por minerais brasileiros, processamento no Brasil, combinação de capital dos Estados Unidos com ativos nacionais e classificação dos minerais críticos como ativos de segurança nacional.
Em um período de dez anos, o documento calcula potencial de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em investimentos em mineração, refino e processamento. A estimativa também inclui de 500 mil a 1 milhão de empregos e um impacto de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no Produto Interno Bruto (PIB).
Negativa do autor
Os metadados do arquivo identificam Marinho como autor. O documento é datado de 19 de março deste ano, cerca de duas semanas antes de uma viagem dele aos Estados Unidos, quando se reuniu com o vice-presidente americano, J.D. Vance. Em maio, Flávio também esteve em Washington e se encontrou com Vance e com o presidente Donald Trump.
Marinho confirmou a elaboração, mas disse que o estudo foi uma iniciativa pessoal e permanecia armazenado em seu dispositivo. “Não enviei nem apresentei esse conteúdo a nenhuma autoridade americana”, afirmou.
Ele também negou que a viagem aos Estados Unidos tivesse relação com o documento e declarou que seu pai não teve acesso ao material. Segundo Marinho, não houve pedido, orientação ou iniciativa da campanha de Flávio Bolsonaro para produzir o estudo, nem tratativas sobre recursos estrangeiros para campanhas eleitorais no Brasil.








