NOVA YORK — O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, discutiram os preparativos para as eleições gerais brasileiras e defenderam a não interferência externa nos assuntos internos dos países. A reunião ocorreu nesta quarta-feira (23), na sede das Nações Unidas, em Nova York.
O encontro bilateral foi realizado às margens da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que reúne chefes de Estado, ministros e representantes dos países-membros da organização. A realização da sessão de alto nível em Nova York nesta semana é confirmada por fontes oficiais do governo brasileiro.
Relações entre Brasil e Rússia
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Vieira informou Lavrov sobre a preparação do processo eleitoral brasileiro. Os dois ministros também ressaltaram a importância da liberdade de expressão e da não interferência externa nos assuntos internos dos países.
A conversa incluiu uma avaliação das relações entre Brasil e Rússia e das possibilidades de ampliar a cooperação bilateral. Também foram tratadas questões políticas e econômicas, além do calendário de contatos entre os governos.
Brasil e Rússia são membros fundadores do BRICS, ao lado de China e Índia. No agrupamento, os dois países defendem a ampliação da cooperação entre economias emergentes e o fortalecimento das instituições multilaterais.
Discussões sobre o BRICS
Vieira e Lavrov conversaram ainda sobre os resultados da cúpula do BRICS realizada em Nova Déli nos dias 12 e 13 de setembro, sob a presidência indiana. A reunião abordou governança global, financiamento para o desenvolvimento, comércio e liquidação em moedas locais, inteligência artificial, mudanças climáticas e reforma das instituições multilaterais.
Os chanceleres também destacaram a importância de preservar registros históricos e rejeitar interpretações arbitrárias da história, conforme o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Em reunião de chanceleres do BRICS realizada em 2025, Vieira havia defendido que o grupo usasse sua representatividade para promover paz, estabilidade, diálogo e cooperação multilateral. A agenda discutida em Nova York incluiu ainda a reforma da governança internacional e a continuidade do diálogo entre Brasília e Moscou.







