WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu pessoalmente o presidente da China, Xi Jinping, nesta quarta-feira (23), em uma cerimônia marcada por tapete vermelho, banda militar, salva de canhões e sobrevoo de um bombardeiro B-1. A recepção ocorreu na Joint Base Andrews, em Maryland, durante a chegada de Xi para uma visita de três dias ao país.
Trump e a primeira-dama receberam Xi e sua mulher, Peng Liyuan, ao lado do avião presidencial chinês. O tapete vermelho tinha cerca de 30 metros. A cerimônia rompeu o protocolo habitual dos Estados Unidos: fazia 11 anos que um presidente norte-americano não recebia pessoalmente um líder estrangeiro na base aérea. A última ocasião havia sido a recepção de Barack Obama ao papa Francisco, em 2015.
Quase ao mesmo tempo, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou a extensão da trégua comercial entre Washington e Pequim. O acordo, que terminaria em 10 de novembro, continuará em vigor até 10 de janeiro de 2027.
Negociações comerciais
A prorrogação foi acertada depois de conversas entre Bessent e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng. Os dois se reuniram no domingo (20), em Nova York, e voltaram a negociar nesta quarta-feira, em Washington. Bessent afirmou que o prazo adicional permitirá que os governos avaliem a possibilidade de um acordo econômico mais amplo.
A trégua reduziu parte das tarifas impostas reciprocamente durante a escalada comercial e incluiu compromissos chineses relacionados ao fornecimento de terras raras e minerais estratégicos.
A viagem de Xi ocorre enquanto os dois países tentam administrar divergências sobre comércio, tecnologia, Taiwan e relações com o Irã. O presidente chinês afirmou que China e Estados Unidos devem ser “parceiros, não rivais”, defendendo uma relação baseada na cooperação apesar da competição estratégica.
A agenda inclui uma cerimônia militar na Casa Branca e um jantar de Estado. A principal reunião bilateral entre Trump e Xi está prevista para esta quinta-feira (24).
Tecnologia, Taiwan e inteligência artificial
As expectativas de um acordo abrangente durante a visita são moderadas. Estados Unidos e China continuam em desacordo sobre os controles norte-americanos para a exportação de tecnologias avançadas e semicondutores, o acesso a minerais estratégicos chineses e a posição de Pequim sobre Taiwan.
Xi deverá abordar a questão da ilha, enquanto o governo Trump pretende manter controles de exportação de tecnologia contestados pelo governo chinês. As relações econômicas da China com o Irã também entraram nas discussões com Washington.
A inteligência artificial passou a ocupar espaço central nas negociações. Bessent e He discutiram a criação de um mecanismo de comunicação para incidentes relacionados à segurança da IA. A iniciativa busca reduzir riscos da competição tecnológica, que continua entre os principais pontos de disputa estratégica entre os dois países.









