WASHINGTON — A visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos terminou com a prorrogação, por dois meses, da trégua comercial entre os dois países. O acordo foi o principal resultado anunciado após a reunião com Donald Trump, enquanto divergências sobre comércio, inteligência artificial, Taiwan e Irã permaneceram sem solução.
O encontro de quinta-feira (24) ocorreu em meio a uma agenda diplomática intensa do presidente americano, que também incluiu um discurso na Assembleia Geral da ONU. Apesar da cerimônia reservada a Xi, Trump evitou apresentar publicamente os conflitos entre as duas potências. A imprensa chinesa informou que o líder chinês pediu, em conversas privadas, que os Estados Unidos se opusessem à independência de Taiwan.
A relação bilateral também é afetada pelo controle chinês sobre minerais de terras raras, usados em setores como tecnologia e fabricação de automóveis. A questão reduz a margem de ação de Washington e contrasta com a ênfase anterior do governo Trump nas tarifas comerciais.
Guerra com o Irã amplia pressão
O conflito iniciado por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro é considerado o principal desafio externo do segundo mandato de Trump. Após quase sete meses, a guerra afetou o fornecimento global de energia, alcançou outros países da região e pressionou os preços da gasolina nos Estados Unidos. Os efeitos também chegaram ao Iêmen e à rota marítima do mar Vermelho.
Em discurso na ONU, Trump voltou a ameaçar “aniquilar” o Irã caso não seja firmado um acordo. O governo iraniano mantém a resistência e afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos. A guerra divide a base política do presidente e ocorre antes da eleição em que o Partido Republicano pode perder o controle do Congresso.
Um representante da Casa Branca rejeitou a avaliação de que a política externa americana esteja paralisada. Sob condição de anonimato, afirmou que Trump busca resultados e citou medidas para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.
Aliados recusam pedidos
Aliados europeus e asiáticos recusaram pedidos de ajuda no conflito com o Irã, lançado sem consulta prévia a eles. Também tiveram pouco resultado as tentativas de obter de Rússia e Ucrânia um cessar-fogo limitado à infraestrutura energética.
Na Assembleia Geral da ONU, Emmanuel Macron criticou um “retorno à lei da selva” nas relações internacionais. Luiz Inácio Lula da Silva afirmou: “Não precisamos de porta-aviões patrulhando nossas águas, precisamos de cooperação para conter o fluxo de armas e dinheiro que alimenta o crime”.
No Ártico, Trump apresentou um acordo com Dinamarca e Groenlândia para ampliar a presença militar americana na ilha. O entendimento ficou abaixo da reivindicação inicial de que os Estados Unidos deveriam possuir o território. Com isso, a trégua comercial com a China foi prolongada, mas as principais disputas e os demais impasses diplomáticos continuam sem resolução.







