NOVA YORK — Donald Trump terá uma agenda com pelo menos 11 líderes nesta terça-feira (22), durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. As guerras no Irã e na Ucrânia estarão entre os principais temas dos encontros, que incluem reuniões com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e representantes de seis países do Golfo.
A programação ocorre após uma pesquisa divulgada na segunda-feira (21) apontar 32% de aprovação para Trump, o índice mais baixo registrado pelo levantamento. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pressionou os preços dos combustíveis no mercado internacional e aumentou as dificuldades enfrentadas pelo Partido Republicano antes das eleições legislativas de novembro.
Trump deve começar o dia com um discurso aos representantes dos países integrantes da ONU. O conteúdo da fala não foi divulgado. Na sequência, estão previstos encontros bilaterais e reuniões coletivas com dirigentes de quatro continentes.
Oriente Médio e Ucrânia
O presidente americano se reunirá com representantes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, de Omã, do Bahrein, do Kuwait e do Catar. Os governos desses países estão preocupados com o avanço dos houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla áreas extensas do Iêmen.
Os houthis atacaram a Arábia Saudita, aliada de Washington, e ameaçaram a navegação pelo estreito de Bab el-Mandeb. A passagem marítima acrescenta ao debate sobre o conflito uma dimensão relacionada ao comércio e à segurança.
Na conversa com Zelensky, o foco será a guerra na Ucrânia, que já dura quatro anos e meio. O conflito continua sem sinais de redução, apesar das tentativas de mediação promovidas pelo presidente americano.
Outro encontro será com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela. Será a primeira reunião entre os dois. Rodríguez assumiu o poder com o aval do governo americano depois que forças dos Estados Unidos sequestraram Nicolás Maduro, em janeiro.
Groenlândia e Europa
A agenda prevê ainda um acordo sobre a Groenlândia com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen. O entendimento pretende ampliar a presença militar americana na ilha e limitar o acesso de adversários geopolíticos dos Estados Unidos.
Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia esperam que o acordo encerre as declarações de Trump sobre a possibilidade de tomar o território pela força. A ilha integra o Reino da Dinamarca, e as falas anteriores provocaram tensão com os dois governos.
Trump também deve conversar com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. Na segunda-feira, encontrou-se com o presidente francês, Emmanuel Macron. Uma recepção à noite poderá reunir brevemente dezenas de outros dirigentes.
A participação na ONU ocorre um ano depois de Trump atacar políticas climáticas e migratórias de outros países em um discurso. Desta vez, sua presença será acompanhada pelos efeitos das guerras, da alta dos combustíveis e da insatisfação com o custo de vida, que também cresceu entre eleitores republicanos.






