O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que CNN, MS NOW e Politico estão proibidos de acessar a Casa Branca. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (18), pela rede Truth Social, e ocorre em meio ao confronto do governo com veículos que publicam reportagens críticas à administração.
Trump afirmou que a medida teria “efeito imediato” e acusou os três veículos de divulgar notícias falsas. Ele também disse que outros veículos poderiam ser incluídos na restrição. Questionado no Salão Oval, não apresentou uma reportagem específica como justificativa e declarou que a decisão se baseava no conjunto de matérias publicadas nos últimos anos.
A Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos protege a liberdade de expressão e de imprensa. Organizações de defesa da liberdade de imprensa e especialistas afirmaram que a proibição pode representar retaliação governamental contra jornalistas por causa do conteúdo ou do ponto de vista de suas reportagens. A extensão jurídica da determinação deverá ser discutida nos tribunais.
Reação dos veículos e situação na Casa Branca
A CNN disse que continuará apoiando seus jornalistas e sua cobertura da Presidência. A emissora afirmou que seus profissionais têm direito constitucional de trabalhar sem interferência governamental e classificou uma eventual aplicação do veto como um “ataque ilegal” a um direito fundamental.
O Politico também informou que manterá a cobertura da Casa Branca e defenderá os direitos garantidos pela Primeira Emenda. Representantes da Freedom of the Press Foundation e de outras entidades criticaram a decisão.
Apesar do anúncio, a aplicação da medida permanecia incerta horas depois. Jornalistas da CNN, do MS NOW e do Politico continuavam trabalhando na Casa Branca, e Trump não explicou como o bloqueio seria executado.
Antecedentes judiciais
Em 2025, o governo Trump restringiu o acesso da Associated Press a determinados espaços presidenciais após a agência não adotar a denominação “Golfo da América” para o Golfo do México. A AP recorreu à Justiça, alegando violação da Primeira Emenda. Um juiz federal determinou a restauração do acesso, embora a disputa sobre áreas restritas tenha continuado.
Em 2018, a Casa Branca retirou a credencial do correspondente da CNN Jim Acosta após um confronto verbal com Trump. A emissora recorreu, e um juiz federal indicado pelo presidente determinou provisoriamente a restauração da credencial.
O novo episódio amplia um histórico de embates entre Trump e a imprensa. A questão jurídica central é até que ponto o presidente pode escolher quais organizações jornalísticas terão acesso à sede do Poder Executivo com base no conteúdo de suas reportagens. O confronto ocorre semanas antes das eleições legislativas de meio de mandato, que definirão o controle do Congresso americano.







