O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir o Irã caso não seja firmado um acordo para encerrar a guerra. A declaração foi feita nesta terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, diante de representantes dos países-membros.
Trump afirmou que o Irã poderia escolher entre aceitar um acordo que permitisse sua reconstrução ou enfrentar a destruição. Também disse que avaliava se deveria “aniquilar a República Islâmica” e levar o país ao “inferno”, sem sobrevivência ou futuro para as próximas gerações.
A Union of Concerned Scientists (UCS) avaliou que a linguagem usada representa uma ameaça implícita de emprego de força nuclear contra o Irã e sua população. Trump não mencionou diretamente armas nucleares nesse trecho do discurso.
Questionamentos sobre o direito internacional
A Carta da ONU estabelece que os Estados devem evitar ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de outros países. Especialistas já apontaram que declarações desse tipo podem ser enquadradas como crimes de guerra, embora a ameaça verbal, isoladamente, não resulte automaticamente em condenação. A análise jurídica depende das circunstâncias e de eventuais atos concretos.
A declaração ocorreu depois de uma missão internacional apoiada pela ONU afirmar, na semana passada, haver “fundamentos razoáveis” para acreditar que forças dos Estados Unidos cometeram crimes de guerra em dois ataques aéreos no Irã. Entre os alvos citados estavam uma escola e áreas civis. O governo norte-americano rejeitou as conclusões.
Irã diz estar preparado para reagir
As Forças Armadas iranianas classificaram a fala de Trump como propaganda e disseram estar prontas para responder a novas ações militares. Teerã afirmou manter “total prontidão” para desferir ataques mais severos e imprevisíveis contra agressores se houver novos ataques.
Apesar das ameaças, os canais diplomáticos continuaram abertos durante a Assembleia Geral. Trump disse que representantes dos dois países tiveram uma reunião “muito boa” e “muito produtiva” em Nova York e declarou acreditar na possibilidade de um acordo.
A mídia estatal iraniana informou que o chanceler Abbas Araqchi se encontrou com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e apresentou condições para que o Estreito de Hormuz fosse reaberto. Uma autoridade iraniana afirmou que Teerã poderia liberar a passagem em poucos dias se Washington reduzisse a pressão militar e suspendesse o bloqueio aos portos iranianos.
Trump declarou que as relações estavam avançando e repetiu que os Estados Unidos não aceitariam que o Irã tivesse armas nucleares.
Guerra chega perto de sete meses
O discurso combinou a defesa de uma possível negociação depois das eleições legislativas de 3 de novembro com o pedido para que outros países isolassem economicamente o Irã. A possibilidade de aniquilação também permaneceu entre as opções apresentadas pelo presidente norte-americano.
A guerra começou há quase sete meses, após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O conflito provocou milhares de mortes, aumentou os preços do petróleo e atingiu países vizinhos. O Estreito de Hormuz se tornou um dos principais pontos de tensão para a economia mundial.








